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Natureza viva, muito viva

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h27

Publicado pela 1ª vez em 20/03/2009
Já estamos no outono, que começou às 8h44. Na correria diária, apressados para algum quebra-galho, nem sempre percebemos a bela natureza que nos cerca na imponência das árvores deste país.
Uma delas é a troncuda caradepauzeira, nativa do Planalto Central. É uma árvore infrutífera, que oferece uma imensa sombra. Abriga com folga um punhado de senhores e seus assessores em busca de sossego. No outono, suas folhas caem feito dinheiro vindo do céu, mas ela nunca fica pelada.
Outra nativa da região é a conversafiadeira. Seus galhos têm várias ramificações, que acomodam ninhos de pássaros que piam diferente, mas sempre se entendem quando o assunto é a preservação dos bicos de todas as espécies. No outono, suas folhas deslizam suavemente como uma mão lavando a outra.
Há ainda a grampeadeira, cheia de cipós que se conectam em ligações pra lá e pra cá, muitas vezes perigosas. Frondosa, ela testemunha confissões de amor e ódio entre cúmplices enamorados. Suas folhas também caem no outono, mas estão sempre disfarçadas. Às vezes, o tronco da grampeadeira deixa vazar um líquido gosmento chamado “confidencial”. Se pegar em alguém, é um “melou geral”.
Mas nenhuma árvore se compara à rainha da floresta, que desperta os olhares das demais. É a pagadeira, a mais frutífera de todas. Produz o ano inteiro, nas quatro estações. Seus frutos parecem moedas e suas folhas voam como cédulas ao vento. Aves que gorjeiam em outras árvores estão sempre a fazer pousos na pagadeira e dela tiram lascas e mais lascas. A floresta inteira depende dela. Vira lenha com facilidade, mas sempre se renova. Enfim, é pau pra toda obra. Outro dia a coitada adormeceu exausta de tanto extrativismo, mas foi recompensada com um belo sonho: virou motosserra. Madeeeeeeeeeeira!

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