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Muito prazer, decepção!

Haisem Abaki

13 Maio 2016 | 09h41

Minha primeira vez foi em 1982. Tinha pouco mais de 18 anos e já estava ansioso por aquilo. Dava tremedeira só de pensar como seria meu desempenho durante o tão esperado momento. Se pudesse teria me iniciado bem antes… Impossível! Não dependia exclusivamente da minha imensa vontade. Fiquei na teoria enquanto tal prazer não me era permitido, doido para que o dia da prática chegasse logo. E não chegava nunca!

O desejo ficava ainda mais atiçado quando ouvia os mais velhos contando suas experiências. Nooossa! Será que era tudo do jeito que falavam mesmo? Pô, e a minha vez? Meu pensamento ia longe, imaginando o que faria, com quem seria, o ambiente, os detalhes… Não haveria alguma maneira de treinar? Pelo menos pra ter uma ideia e não parecer um franguinho tonto e imaturo na hora…

Mas isso não me envergonhava. A discussão sobre tão ardente tema ocorria abertamente e minha falta de vivência naquela área não era segredo pra ninguém. E todos sabiam que não era minha culpa ficar numa seca tão demorada, sem sequer conhecer o gosto da experimentação.

Eu não era o único no atraso, o que também não servia de consolo. Sabia de outras pessoas que viviam a mesma agonia, sem uma oportunidade de mostrar que poderiam ser perfeitamente capazes de executar aquele ato. Nem todas demonstravam a impaciência que eu tinha, embora não fosse uma situação confortável aguardar tanto tempo por algo que sempre me pareceu da natureza humana.

Bem, o que importa é que finalmente eu consegui e o grande dia coincidiu com a chegada da maioridade. Fui lá e fiz. Era num cantinho, meio isolado e foi rapidinho. Olhei para os lados pra ter certeza de que ninguém estava vendo. Se estivesse sendo bisbilhotado, tudo bem. Não iria me intimidar depois de ter vivido a interminável expectativa pela chegada daquele dia. E, modéstia à parte, acho que mandei bem.

Daquele momento em diante, vencida a primeira resistência, só pensava em repetir a dose. Uma, duas, três… Disposição não faltava. Bastava ter uma  chance que, pimba! Novas  oportunidades foram surgindo, mas também não eram assim a todo instante. Acabei aprendendo que era melhor assim, pra dar mais valor ao que havia conquistado.

E a coisa foi ficando mais natural, às vezes um pouco automática, quase que como uma máquina. Apesar disso, eu ainda procurava uma motivação e sempre encontrava um jeito de me animar, de descobrir alguma novidade que despertasse de novo toda aquela vontaaade. O problema é que esse fogo todo foi diminuindo, diminuindo, diminuindo… Hoje, enfrento a mim mesmo para, com muito esforço, achar algum estimulante que não deixe apagar a velha chama, que ainda resiste. Não posso desistir depois de tanta luta para alcançar o objetivo que me consumia por dentro.

Então, continuarei tentando. Não tenho o mesmo tesão de antigamente, mas vou insistir. Votei pela primeira vez aos 18 anos e a cada ano a decepção só aumenta. Tenho dificuldades de escapar do lugar-comum de achar todos iguais. Dos que se fazem de vítimas aos que se dizem salvadores. Cada um com seus próprios interesses de perpetuação no poder, de um lado e do outro. Todos só pensando na melhor forma de rimar sacanagem com politicagem, pilantragem, bandidagem, ladroagem, pilhagem, rapinagem…

Só que vou continuar comparecendo. Com desconfiança, mas comparecendo. É a única maneira de um dia acertar depois de tantos erros nesse jogo de mentiras e sedução. E de colocá-los na posição em que merecem estar. Aqueeela, já que só pensam naquiiilo…