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Minhas sinceras desculpas futebolísticas

Haisem Abaki

11 Julho 2014 | 12h19

O “mundo” já falou tudo sobre os 7 a 1 e assim será para todo o sempre. Então, nada mais tenho a declarar a respeito do assunto e das discussões que surgiram nesses últimos dias. Qualquer coisa que eu diga será repetitiva como um gol da Alemanha atrás do outro.
Sinto apenas que preciso fazer um ajuste de contas com o passado e reconhecer minha culpa e meus exageros diante de algumas “catástrofes” futebolísticas que vivi. Antes, só peço a compreensão dos que julgam que temos outras tragédias muito piores para as quais não damos a menor bola. É óbvio que isso é uma realidade, mas sempre consegui separar os temas. Gostar de futebol não me faz fechar os olhos para problemas tidos como mais importantes.
Meu exame de consciência me leva de volta a 1974. Eu tinha dez anos e fiquei bravo com o Zagallo depois daqueles 2 a 0 para a Holanda. O cara admitiu que não conhecia os holandeses. E eu já estava com raiva de ver o Ademir da Guia, meu ídolo de infância, no banco da Seleção. Isso passou… Hoje peço desculpas ao Zagallo. Fui muito injusto e, é claro, infantil.
Também fiquei p… da vida em 1978, aos 14 anos. Já era um adolescente “rebelde” e achei que o Brasil teve medo de ganhar da Argentina. Ficamos no zero a zero e depois reclamamos que o goleiro do Peru entregou o jogo naquela goleada de 6 a 0 dos argentinos. Xinguei o agora saudoso Cláudio Coutinho, acreditando que ele devia ser mais ousado. Outro exagero da idade. Perdão, perdão, perdão…
Nas Copas de 82 e 86, a revolta foi parecida e disparei para todos os lados. Reclamei do Toninho Cerezzo, fiquei com ódio do Paolo Rossi e depois do Michel Platini. Fui corneteiro até com o Zico, coitado, que estava machucado. Berrei o azar do goleiro Carlos com aquela bola que bateu nas costas dele e entrou. Não poupei nem o Mestre Telê Santana, achando que em alguns momentos ele podia ter sido menos ousado. O contrário do Coutinho! Torcedor é muito “coerente” mesmo… Mil perdões a todos, por favor.
Depois minhas indignações foram atiradas em Lazaroni, Dunga, Maradona e Caniggia em 90 e de novo contra o pobre do Zagallo em 98. Hoje vejo que ninguém teve culpa de nada, principalmente os “ar-rentinos”, que só estavam fazendo a parte deles. Eu que era um insano… Deixo aqui minhas mais sinceras desculpas. E já estendo o pedido ao Parreira e ao Roberto Carlos arrumando a meia em 2006 e ao Júlio César, ao Felipe Mello e ao Dunga (eita, você outra vez…) em 2010.
Mas tudo isso é passado desde oito de julho de 2014. Repito agora um pedido geral de perdão. Fui muito injusto nesses anos todos e só precisei de seis minutos pra perceber isso. Nunca mais vou sentir “raiva futebolística” de ninguém. Quase ninguém… Pô, não dava pra ter sido de um pouco menos? Sei lá, 3 a 1…
Não culpo os jogadores, só os comandantes fora de campo e com uma carga maior para os mandões de gabinete. Pra esses eu sei que nunca terei que pedir desculpas. Nunca mesmo… Tá certo, tudo pode acontecer… Talvez haja outro vexame desses daqui a uns cem anos. Então fica registrado aqui meu pedido de perdão que, tenho certeza, não será usado. Recomendo que meus filhos o transmitam aos meus netos, os netos aos bisnetos e os bisnetos aos tataranetos. Só por precaução. Não quero que pensem que passei pela vida cometendo injustiças. Caramba, se atira no chão e faz o jogo parar! Ah, tá, claro, já passou… Sou um cara justo. Assim como o placar.