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Meias palavras

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 20h50

Publicado pela 1ª vez em 19/01/2010
A rigorosa investigação do mais recente escândalo de Brasília ainda não puniu ninguém, mas já produziu um vasto jogo de palavras e expressões que merecem destaque na CPI da Codeplan, que é o nome da empresa envolvida na lama.
Nada de CPI da Corrupção, palavra que significava “depravação, imoralidade ou perversão” e virou “ataque de adversários a pessoas honradas e decentes”.
Também não fica bem dizer “cueca”, que por definição era a “peça íntima do vestuário masculino” e passou a ser “repositório de recursos nunca antes imaginados”.
Descendo mais um pouco, “meia” também é uma palavra estranha nos dias de hoje e deixou de ser “vestimenta que cobre o pé”. A melhor explicação agora é “cofre no chulé”.
Outro verbete que mudou de sentido foi “propina”, que era “quantia em dinheiro que se oferece a alguém em troca de favor ou benefício ilícito”. O correto é “dinheiro para ações sociais em prol dos menos favorecidos”.
“Panetone” também não é mais “bolo recheado de frutas cristalizadas” e sim “bolo recheado de cédulas cristalizadas”.
Mas pelo menos uma palavra não mudou de significado: “arruda”. Continua sendo “planta de cujas folhas é extraído um óleo medicinal e popularmente usada contra o mau-olhado”. Haja sorte!

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