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Lado a lado com a indignidade

Haisem Abaki

12 de abril de 2019 | 13h17

Tem gente que é de esquerda e tem gente que é de direita. Tem gente de centro e tem gente que está nos extremos. Tem gente que prega uma coisa e faz outra, ideologicamente falando. Tem gente que não tem ideologia nenhuma e tem gente que pensa que tem alguma. Tudo normal, já que tem gente de todo tipo. Mas se houver gente que saiba conviver com gente tudo vai ficar bem com a gente.

Tem gente que é católica e tem gente da missa não sabe a metade. Tem gente que é evangélica em suas múltiplas vertentes e tem gente que não curte andar com a Bíblia na mão. Tem gente que é muçulmana e que pode ser sunita, xiita, alauita. E tem gente que não quer saber se Maomé foi à montanha ou não. Tem gente que é budista, tem gente que é espírita kardecista, tem gente da umbanda e do candomblé. Tem gente das mais variadas religiões ou formas de acreditar em algo maior. Tem gente que cultua Deus e tem gente que acha que Ele não existe. Tudo normal, já que tem gente de todo tipo. Mas se houver gente que saiba conviver com gente tudo vai ficar bem com a gente.

Tem gente que é corintiana. Tem gente que é palmeirense. Tem gente que é são-paulina, santista, flamenguista, fluminense, vascaína, botafoguense, cruzeirense, atleticana, gremista, colorada. Tem gente que é de outras torcidas e que talvez reclame de não ser citada aqui, assim como tem gente que não é de torcida nenhuma e não quer saber de futebol. E no meio dessa gente tem também gente fanática que vê mão na bola quando foi o adversário e apenas uma bolinha na mão sem querer quando é do próprio time. Tudo normal, já que tem gente de todo tipo. Mas se houver gente que saiba conviver com gente tudo vai ficar bem com a gente.

Tem gente que gosta de mulher. Tem gente que gosta de homem. Tem gente que gosta de homem e mulher. Tem gente que apenas quer ter o direito de ser quem é sem sofrer preconceito. Do mesmo modo que tem gente que é branca, que tem gente que é negra, que tem gente que é amarela e que tem gente que é seja lá de que cor for e se diz ser. Tudo normal, já que tem gente de todo tipo. Mas se houver gente que saiba conviver com gente tudo vai ficar bem com a gente.

Tem gente que ainda é do tempo analógico, tem gente que é nativa do tempo digital e tem gente que é migrante do analógico para o mundo digital. Tem gente que compartilha mensagens positivas e fotos de momentos felizes. E tem gente que só vai à rede social pra espalhar ódio, intolerância, ofender quem pensa diferente e ESCREVER TUDO EM LETRA MAIÚSCULA COMO SE ESTIVESSE GRITANDO. Tudo normal, já que tem gente de todo tipo. Mas se houver gente que saiba conviver com gente tudo vai ficar bem com a gente.

A vida tem gente de todos os lados. E tem também gente que simplifica tudo achando que só existem dois lados, representados pelo bem e pelo mal, sendo que o mal é sempre aquele ser chamado “outro”. Mas há situações em que não pode (ou eu deveria escrever NÃO PODE?) haver essa divisão. Um bom (ou mau) exemplo é quando um carro de uma família leva 80 tiros disparados por soldados do Exército. Deveria haver gente que estivesse de um lado só. E não deveria haver gente num silêncio indigno e ensurdecedor. Esse é o pior dos mundos: quando tem gente que parece que não é gente. E tudo não vai ficar bem com a gente.