As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Filhos e chefe, minhas desculpas!

Haisem Abaki

20 Outubro 2017 | 12h44

As últimas horas me fizeram refletir sobre minhas condutas como pai e funcionário. E não gostei das conclusões a que cheguei. Então, eu admito que estou em débito. Não chega a ser omissão, mas me incomoda. Estou constrangido.

Não sei como não percebi isso antes. Talvez seja a correria do dia a dia com tanta coisa pra pensar e fazer. Tudo ao mesmo tempo e sempre “agora”. Não tem depois nem daqui a pouco. A gente entra nessa roda viva e deixa passar momentos e assuntos importantes. Falha minha, eu confesso.

Eu não sou um mau pai. Mas poderia melhorar muito e ser mais participativo. Sim, eu sempre telefono, mando mensagens e falo pessoalmente com minha menina e meu menino. Só que ainda não é suficiente. Deveria ser mais ativo e mais presente, mesmo que apenas virtualmente.

Caramba! Como é que a gente fica assim e não vê o tempo passar? Quantas oportunidades perdidas… Quantos bons papos deixados de lado… Enfim, quanta vida acontecendo sem a gente participar, se engajar, se interessar ou simplesmente falar um “oi, eu tô aqui”! Estou indignado comigo mesmo. Que porcaria de pai que você é, cara!

E não dá trabalho nenhum fazer isso. Dá pra continuar na correria, cumprir todas as obrigações diárias, horárias, “minutárias” e “segundárias” sem perder o contato com eles que são a razão maior da minha vida. Porra! Claro que dá! É só deixar de ser tão disperso, tão molenga.

Sim, eu pego o celular em alguns momentos do dia e passo mensagens para os dois. Às vezes gravo pra não ter o trabalho de digitar e ficar mais livre para outras atividades importantes. Eu também curto os posts da minha mocinha, principalmente os vídeos com cachorrinhos sempre “cãopanheiros” e aprontando algumas “cãofusões”. Mas será que basta isso para ser um bom pai? Não. Tenho que fazer mais, muito mais. Peço desculpas a vocês, meus queridos filhos. Prometo melhorar nisso.

E com meu chefe então, o Emanuel Bomfim? Temos uma ótima relação, falamos coisas sérias, damos umas risadas, tiramos um sarrinho futebolístico um do outro, às vezes por razões “corintianísticas”, outras “palmeirísticas”. Mas, apesar disso tudo, vejo que preciso ser muito mais participativo. Conversamos mais pessoalmente. Fui checar agora e vi que neste ano só nos falamos por whatsapp umas 15 vezes entre fevereiro e outubro. Peço desculpas, Mané. Vou melhorar minha comunicação “zapesística” com você.

Só percebi minhas imensas falhas e omissões como pai e funcionário graças ao exemplo de dois senhores: um ministro do Supremo e um senador da República que se zapearam 43 vezes em menos de dois meses. Meus sinceros agradecimentos aos dois, por terem despertado em mim a vontade de ser um pai melhor e um funcionário melhor também. Obrigado aos queridos “zapeteiros” por me ensinarem algo tão elementar: que é conversando que a gente se entende.

……

Os últimos dias foram de recordações dos bons papos, jornalísticos às vezes e na maioria das vezes sobre a vida, com José Carlos Carboni, meu chefe na Rádio Bandeirantes. Ele se foi, mas as boas lembranças ficarão para sempre na memória.