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Feliz ano corrido

Haisem Abaki

30 Dezembro 2015 | 10h07

Este ano velho, quase de partida, foi muito corrido para mim. Não naquele sentido que muita gente puxa assunto em conversa de elevador, de ponto de ônibus, de táxi ou quando encontra alguém que não vê há um tempão e não tem o que falar. Foi corrido com meus próprios pés, que maltrataram até o fim um resistente e exibido tênis preto e o trocaram por um cinza, preto, branco e verde marcador de texto. Discretíssimo…

Comecei com umas caminhadas leves em 2010. Dava voltas numa praça com uma pista de 600 metros. Fiz tudo de livre e espontânea obrigatoriedade, só porque alguém especial disse que eu estava gordo. Aos poucos, fui percebendo que aquilo me deixava mais leve não só no peso. Era uma espécie de terapia, de higiene mental. E cheguei ao ponto, hoje, em que faço isso por mim mesmo e não por ninguém.

O passo foi acelerando, acelerando, acelerando… E virou corrida. Há pouco mais de um ano passei a monitorar o “motorzinho” por um aplicativo e depois por outro. No começo eram seis ou sete quilômetros. Mais adiante oito, dez, doze, catorze. Atualmente fico na média dos quinze, o que significa queimar em torno de mil calorias por atividade suada. Mas já corri vinte e um quilômetros três vezes.

Balanço do ano: 103 dias correndo, num total de 1.019 quilômetros percorridos em ruas e parques. Talvez ainda tenha uma “saideira” antes da virada. Não sei se isso é muito ou pouco. Tive uns períodos de parada por razões climáticas, gripais, alérgicas e “sacocheísticas”.

O ritmo médio é de 8 minutos e 3 segundos por quilômetro. Meus cinco quilômetros mais rápidos foram percorridos em 26 minutos e 9 segundos. E os 10 em uma hora, três minutos e 45 segundos. Não sei se é muito ou pouco. Tenho amigos que fazem 10 quilômetros em torno de 50 minutos, mas são “menos rodados” na idade. Estou com 51 e a velocidade e a intensidade são ditadas pelos joelhos. Somados são 102 anos. O da esquerda parece sexagenário. O da direita se acha quarentão, todo pimpão.

Tento cuidar bem da alimentação também, mas sem loucuras paranoicas e restritivas. Não sou policial de pizza, macarrão e chocolate. E não me puno com a privação da sobremesa. Outro dia, depois de almoçar com um amigo, atacamos um doce chamado Tesão de Abacaxi, com pedaços da fruta mergulhados em um creme. Nome plenamente justificado. Um T mesmo… Nas quatro corridas que se seguiram, além da música nos ouvidos, fiquei com um pensamento fixo. Tesão de Abacaxi, Tesão de Abacaxi, Tesão de Abacaxi, Tesão de Abacaxi… É tetra!

Apesar de não me apegar aos números, uma corrida me chamou a atenção. Foi uma de apenas 7,94 quilômetros, com média de 12 minutos e 20 segundos por quilômetro. Desempenho horrível. Fui buscar a explicação. É que meu filho foi junto e aquilo acabou sendo muito mais caminhada do que corrida.

O moleque de 12 anos estava muito falante naquele dia, me levou para lugares do parque que eu não conhecia, pegou atalhos, ficou atento ao som dos pássaros e quis tomar água de coco antes da hora.

A conclusão é óbvia. O danado do garoto é o grande culpado de tudo. Foi ele o responsável por transformar minha pior corrida na melhor de todas. E a marca poderia ser ainda mais positiva se a irmã dele estivesse com a gente. Não existe companhia mais feliz, amorosa e relaxada do que a dessas duas figurinhas. Nada, nada, nada… Bom, talvez um docinho pra ficar ainda mais legal. O “problema” é que eles já estão bem espertos. Sabem que acabo rapidinho com o meu e dou aquela espichada de olho. Três Tesões de Abacaxi, por favor!

……

Meu agradecimento aos ouvintes e leitores pela companhia neste ano. Feliz 2016! Nas duas primeiras semanas de janeiro, todos poderão tirar férias de mim.