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Em nome da felicidade

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 18h38

Publicado pela 1ª vez em 12/08/2009
Tem gente que passa a vida reclamando de tudo e de todos. É um chororô danado e qualquer coisinha mínima que seja já desperta a mania de perseguição e o sentimento de eterna vítima. São pessoas que não enxergam que a felicidade está ali, bem pertinho.
Um exemplo é um sujeito que vamos chamar apenas de Felisberto, pra ele não achar que está sendo alvo de mais uma conspiração. Já faz alguns dias que o cara só fica dizendo “oh dia, oh azar”.
Tudo começou quando o ônibus fretado parou de deixá-lo na porta do trabalho. O Felisberto ficou furioso e não percebeu que as autoridades só estavam tentando fazê-lo mais feliz. Agora ele anda quatro quarteirões e leva uma vida mais saudável. Que felicidade!
O reclamão voltou a repetir a ladainha quando soube da prorrogação das férias dos filhos para evitar perigosas aglomerações na escola. Nem aproveitou direito as idas ao shopping e ao cinema, sempre lotados. Que felicidade!
A última tormenta do Felisberto foi a lei antifumo. Ele se sentiu invadido na privacidade e não notou a dádiva que recebeu. O consumo de cigarros diminuiu e quando ele não resiste faz um belo exercício para ir ao ar livre. Que felicidade!
Triste sina a do Felisberto: não percebe que todos só querem a felicidade dele. E sempre foi assim. Tudo começou há muito tempo, lá na certidão de nascimento.

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