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Em alto e mau som

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h26

Publicado pela 1ª vez em 19/03/2009
Hoje vamos contar a segunda parte da saga do Penna, aquele ouvinte da Rádio Bandeirantes atormentado pela barulheira no transporte público de São Paulo. Depois de ouvir a “Dança do Créu” em alto e mau som num torturante trajeto de ônibus entre o Largo da Batata e a ponte Transamérica, ele resolveu andar de trem no trecho Osasco-Grajaú com a esperança de não ser mais um ouvinte passivo intoxicado pelos potentes celulares dos viajantes que não ligam pra quem está ao lado.
O Penna ainda tinha na memória a última viagem ferroviária, há uns seis meses, quando ouviu música clássica num volume beeeeeeeeem baixo. Dava até pra relaxar depois do trabalho.
Coitado, ao entrar no vagão, nada de som suave. Era o tormento de novo: um monte de gente ouvindo “Créu” e outros credos, direto do celular para os tímpanos. Ele ainda escutou alguém reclamar que música clássica é ruim porque dá sono. Agora, sim, o sujeito tava ligadão no vagão.
Apesar de decepcionado, o persistente Penna não pensou em preservar os ouvidos. Pegou uma van e lá estavam os celulares dos outros passageiros bombando de novo. Isso sem contar o motorista, dirigindo e batendo um papo com a namorada ao telefone.
Houve um tempo em que o Penna anotava o horário, a placa do veículo e o número da linha, mas agora ele já não agüenta nem a musiquinha do 156 da prefeitura. Depois do massacre do “Créu”, não acredita mais em solução. Virou um incrédulo. Dê um crédito, Penna. Talvez um dia chegue o crepúsculo do som crepitante e da cretinice de quem quer impor o gosto musical aos outros na marra. Vai creolina aí?

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