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É chique ter cheque

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h39

Publicado pela 1ª vez em 03/04/2009
Acabamos de descobrir que deixamos de ser bregas. Agora somos chiques e vamos emprestar uns caraminguás ao pobre FMI. Para consumar o ato, vamos convidar o fundinho esfomeado para um jantar e demonstrar superioridade, seguindo regras básicas de etiqueta.
O correto é pegar as folhas de alface com as mãos, balançá-las como se fossem um punhado de dólares e levar uma a uma à boca, com a cabeça levemente reclinada.
Na hora de oferecer a sopa, é bom dizer com todas as letras que estarão no caldo: “De onde veio isso, tem muito mais!”.
Para apreciar o filé, nada de faca. É só dar uma boa garfada, ao melhor estilo FMI. Entre uma espetada e outra, é elegante propor alguns brindes com a sofisticada “cachaçá du alambiquê”.
Depois, alegando educadamente que tempo é dinheiro, o ideal é dispensar os outros pratos, não sem antes deixar que o convidado sinta o cheirinho da comida, só pra passar vontade. O dinheiro pode ser entregue enquanto se espera a sobremesa. Quando ela chegar, é só oferecer a banana com uma mão e, com a outra, mandar o cheque em forma de aviãozinho.
Pra terminar, se o fundo sacudir os fundilhos para reclamar do valor, é bom ter algo na ponta da língua. “Então leva mais isso aqui”. E tirar o palito da boca. Chiquééérrrimo!

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