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Desculpas garrafais

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 20h53

Publicado pela 1ª vez em 21/01/2010
Quem cedo madruga, ficou sem ajuda e preso na Marginal do Tietê, depois da chuvarada da noite. Da saída da Ayrton Senna até a ponte das Bandeiras foram mais de cinco horas de espera, quase sempre com motor desligado e um crescente desejo de estar perto de uma garrafa de café.
Com esse tempo todo (o do relógio e não o do céu), daria para pisar nas areias de Ipanema ou de Copacabana. Mas muita gente preferiu contemplar o rio dos paulistas, o PETietê. Um motorista, no aperto do xixi, decidiu desengarrafar ali mesmo, numa mureta.
Das pistas com trânsito engarrafado, não era possível contar a quantidade de garrafas PET naquele leito quase de morte. Com dois amigos, resolvi marcar uma caixa de isopor que era levada pela correnteza. O trânsito andou um pouco e tive a esperança de apostar corrida com a danada, mas logo a perdi de vista.
No rádio, companheiro de todas as horas, autoridades abriram as bocas de lobo para apresentar justificativas pronunciadas em letras garrafais, despejando a culpa apenas na Natureza e nos sujões e quase dizendo “Pai, afasta de mim este cálice”.
Depois de apresentar parte dos programas ali, engarrafado, o jeito foi voltar para casa, no sentido contrário das garrafas, com alguns litros a menos de paciência. Grandes medidas certamente serão tomadas, mas é bom não esperar por milagres saindo do gargalo. Tem gente que bebe mesmo!
………..
Agradeço aos ouvintes da Rádio Bandeirantes pelas mensagens de apoio. Não consegui estar fisicamente no estúdio, mas senti a companhia de todos nas transmissões direto da Marginal do Tietê.

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