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De sola no pratão

Haisem Abaki

12 Fevereiro 2016 | 09h59

Fui ao shopping com as duas melhores companhias da vida para cumprir duas missões. Na verdade, dois pares de missões que havia prometido com um solene “tá bom”. Um tênis para ela e uma chuteira para ele.

O garoto já havia feito uma pesquisa e tinha opções de marcas, preços e condições de pagamento. A irmã dele só havia definido a cor preta, mas também resolveu percorrer algumas lojas para fazer comparações.

Fomos a várias e curti todos os sofás possíveis. É o que mais aproveito nesses momentos pra relaxar enquanto vejo os preços que quase sempre terminam com o número nove. Ou com um 99 depois da vírgula.

Para meu alívio, o moleque, logo de cara, descartou a chuteira do Messi, que a vendedora gentilmente ofereceu dizendo que “os meninos gostam muito”. O rapazinho não quis a azulada e estava interessado na laranjinha. E falou nomes de jogadores de campo e de games com suas respectivas molduras para os pés. Era muita informação ao mesmo tempo…

Mas não havia o número do meu craque preferido, que era um se fosse de uma marca e mudava na concorrente. Ele sabia até de detalhes do acabamento voltados para o conforto do dedão do pé e se preocupava com a adaptação à grama sintética da escolinha de futebol. E fomos para outra loja. E em mais uma, duas, três…

Com a mocinha foi a mesma coisa. Experimenta aqui, ali, mais adiante. E o aqui vira ali e o ali já é aqui…  Ela pedia a minha opinião, mas logo se virava para a vendedora. Com a loja vazia aparecia outra balconista pra palpitar. E depois outra. E a moça do caixa. E logo aquilo virava uma “junta médica” calçadista.

Resultado das andanças em que primeiro gastei a sola do sapato e depois o cartão de crédito… O garoto finalmente escolheu a chuteira, que no fim das contas não era das mais caras, em seis suaves prestações. E a irmã gostou de dois modelos diferentes que, somados, ficavam no mesmo valor da chuteira, fato do qual ela imediatamente me “alertou”, não é mesmo? Tudo certo. Aqueles pezinhos 34 merecem. São o dobro da idade dela.

Mas a grande surpresa da tarde me fez ver como o tempo passa e a gente não percebe. Tomei um susto quando o garoto entrou na primeira loja e pediu uma chuteira número 39. O triplo da idade dele.

Só impus uma “condição”: que o pezinho da minha versão melhorada só fosse até o 40 como o meu. Coisa desinteressada da minha parte. Não é que eu queira ter mais opções para meus pés velhos e cansados. Não. Nada disso.

Mas, uns dias depois, percebi que o plano não ia dar pé. Na padaria, sugeri dividirmos um filé à parmegiana e ele entrou de sola…

– Esse aí só dá pra mim, pai!

E lá se foram meus planos, chutados para escanteio…