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Chuva de desculpas

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 19h08

Publicado pela 1ª vez em 09/09/2009
Depois da tempestade, vem a “desculpança”. O ritual é repetido há anos, religiosamente. Primeiro, o governante de plantão diz que a cidade está bem preparada para as chuvas.
Em seguida, ensina uma nova matemática e transforma subtração em adição, explicando que o corte de verbas feito em nome da austeridade não causou nenhum transbordamento.
Aí, recorrendo a números vindos das nuvens, invoca um tal de índice pluviométrico para alegar que foi a maior chuva dos últimos não sei quantos anos e que num dia só choveu mais do que no tempo de Noé.
E se algum chato insistir, vem o momento final da pregação. O sujeito abre a boca de lobo e manda os antecessores para o bueiro, afirmando que eles são os culpados pela falta de investimentos.
A nossa parte no ritual, além de não jogar lixo na rua, é rezar. Vamos pedir a todos os santos e santas, padroeiros e padroeiras e até aos beatos e beatas. Quase todos. Só não vale implorar ao padre José de Anchieta, o culpado de tudo isso, há 455 anos.

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