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Cansado de tanta folga

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 14h54

Publicado pela 1ª vez em 10/02/2011
Depois da revelação da estupidez que cometi contra o meu querido ex-tênis, parceiro de caminhadas que me deixaram fininho, resolvi me permitir um dia de relaxamento, sem exercícios.
Peguei três amigas e fui ao shopping à noite para um passeio. Isso mesmo, três amigas de uma vez. Já tinha saído com cada uma delas separadamente, mas nunca juntas. Foi uma experiência arriscada porque elas se conhecem muito bem e parecem sentir ciúmes de mim, embora nunca tenham falado sobre o assunto.
Decidi não dar explicações porque acho que não devo satisfações da minha vida. Simplesmente coloquei as três no carro e parti sem dizer para onde estávamos indo. Ficaram todas caladinhas, sem perguntar nada. Ai delas se me enchessem a paciência…
Chegamos ao shopping e fomos dar umas voltas, olhar vitrines, ver gente. Sem pressa. Conferimos os filmes em cartaz, paramos no caixa eletrônico e passamos pela praça de alimentação. Estava sem fome e só tomei uma água de coco.
Não ofereci nada para as três danadas porque não mereciam. É isso mesmo, sem gentilezas. Quis demonstrar claramente o meu descontentamento com o comportamento delas. Ficaram mudinhas de novo. Ai delas se reclamassem um tiquinho que fosse…
Estava muito bravo com os apuros em que me meteram nesses últimos tempos e percebi que era hora de dar um basta nisso. Precisava ser duro para que elas percebessem o meu cada vez mais evidente desconforto.
Eram três folgadas que andavam por aí, me expondo sem nenhum pudor. Já tentei segurá-las para que parassem de fazer isso, mas não adiantou. Elas sempre se saíam bem no jogo de cintura e me deixavam em situações embaraçosas. Percebi que as pessoas começaram a reparar.
Demorei muito para tomar providências definitivas e acabar de vez com as lambanças. Meu coração mole pesou um pouco porque eram companheiras queridas que sempre estavam à disposição, me dando cobertura. Enfrentamos muitas barras juntos, numa relação limpa e sem manchas.
Reconheço que essas três amigas sempre foram justas comigo e que compartilhamos momentos de muita alegria até mesmo quando eu as jogava de lado e só queria saber de descontração. Mas o tempo passou e elas começaram a ficar soltas demais e me deixaram completamente largado.
Então, decidi que já estava mais do que na hora de dar um aperto nelas. Entrei na loja onde havia comprado as três amigas e pedi para o vendedor tomar medidas drásticas. Medida daqui, medida dali e o rapaz, espantado, sentenciou:
– Elas entraram 44 e vão sair 40!
Deixei as três calças amigas lá e fui embora com a que tinha ido ao shopping comigo a trabalho e não a passeio. Ela sambava na cintura, querendo arriar de vez ao sacar que será a próxima a dançar. Quando for buscar as meninas enxutas, vou levar outras três para uma voltinha.
E haverá mais uma leva depois, com algumas escandalosas tamanho 46. Essas calças folgadas não perdem por esperar quietinhas no guarda-roupa. E ai delas se abrirem o zíper pra falar alguma coisa! Sei que todas ficaram ainda mais caídas com a notícia, mas isso passa. Logo estarão de novo agarradas em mim.

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