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Canções feitas (só) para mim

Haisem Abaki

24 Maio 2013 | 16h46

Tenho um vício antigo que está piorando cada vez mais e, como sempre ouvi dizer que é melhor aceitar e falar sobre o assunto, depois de mais um aniversário, resolvi “me autoajudar a mim mesmo”. Então, vou contar e pronto!
Desde sempre, eu vivo achando que vejo e ouço sinais em tudo. Coisas que são “ditas” diretamente para mim e normalmente têm algum significado importante, mesmo que eu não entenda nada na hora.
Abro livros aleatoriamente e bato o olho em palavras ou frases que só estavam ali, à minha espera, para ninguém mais. Ligo o rádio e percebo claramente que a música que toca foi “inspirada” em mim.
Até o dicionário me manda mensagens subliminares. Uma vez, arrumando objetos em casa, abri o livrão de olhos fechados e apontei o dedo. Estava escrito “magro”. Isso já faz três anos e a “profecia” se cumpriu. Claro, também fiz a minha parte com muito suor. Mas era um sinal evidente, sem dúvida, com toda a certeza… Aquele verbete foi colocado lá por minha causa.
Nesses últimos dias vários amigos me disseram com arzinho de gozação: “Aí, tá chegando aos 50…”. Como assim, “chegando” aos 50, com o exagero do gerundismo e a mania do arredondamento para cima? Ainda falta um ano e até lá o coitado do número 49 vai ser discriminado? É isso?
Adoro rádio (novidade!), mas ouço pouco no carro porque estou “desapegando” das quatro rodas. Meu aparelho automotivo tem quatro bandas: uma só de jornalismo (a minha preferida, por motivos óbvios), outra só de AM (paixão antiga também), uma de música “adulta” (não velha) e outra de música “jovem” (para as “crianças” lá de casa).
Com tantos cumprimentos antecipados pelo ainda distante, longínquo e invisível a olho nu cinquentenário, tasquei o dedo na faixa das canções “maduras” pra relaxar. Dei de cara e ouvidos com o Nando Reis e o Arnaldo Antunes em “Não Vou Me Adaptar”. Parecia pra mim, mas não passei recibo porque, ao contrário da letra, não tenho mais uma barba deeeesse tamanho e voltei a caber nas roupas em que não cabia.
Desci, fui cumprir meus compromissos e peguei o carro de novo. E o Ira! me ataca com “Envelheço na Cidade”. O Nasi não me poupou e repetiu-tiu-tiu um monte de vezes: “Feliz aniversário… Envelheço na cidade”.
Mais um passeio pelo dial e Renato Russo avisa que não tenho mais o tempo que passou, mas tenho todo o tempo do mundo. Ouvir “Tempo Perdido” foi selvaaaaagem, selvaaaaagem, selvaaaaagem. Pelo menos ele concluiu que ainda somos tão jooooovens, tão jooooovens, tão jooooovens.
Na Rádio Estadão, o amigo Emanuel Bomfim faz uma bela entrevista (mais um sinal?) com o diretor do filme “Somos Tão Jovens”, Antonio Carlos da Fontoura. Minha filha de 14 anos diz que gosta da Legião e que quer ir ao cinema comigo. Depois, pede pra ouvir música da “faixa dela” do rádio.
E entra aquele som contagiante, que não me deixa ficar parado: puts, puts, puts, puts, puts, puts… Até que foi divertido… Mas Nando Reis estava certo desde o início. Não vou me adaptar… Eu sabia que ele tinha feito essa música pra mim!