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Blequifraideirização temerária

Haisem Abaki

25 de novembro de 2016 | 09h47

Oportunidade única de negócio. Imperdível! Extraordinária! Azar de quem não aproveitar. Tudo em promoção. Ministros, governadores, senadores e deputadíssimos reputadíssimos. Nas versões “atual” e “ex”, além dos modelos “situação que virou oposição” e “oposição que virou situação”. E ainda pode aparecer oferta-surpresa de presidente e ex-presidente.

Os caras são de diferentes partidos e de “ideologias” distintas, mas parceiros na nobre arte de encher os bolsos. Ou esvaziar, dependendo do ponto de vista. Comenta-se que há mais ou menos 130 “unidades” disponíveis, que só duram até o fim dos estoques que estão nas prateleiras do foro privilegiado. Ah, então ainda demora…

Há vários modelos para escolher. Eles são classificados pelo tamanho da gulodice. Tem a turma do 1%. E dos 2%, 3%, 4%… E um até de 5% mais taxa de oxigênio, porque respirar é preciso.

O tipo clássico é aquele que diz que recebeu doações legais, declaradas e devidamente aprovadas pelo tribunal lavanderia eleitoral. É facilmente reconhecido ao emitir repetidas notas dizendo “repilo” ou “repudio”. E sempre “veementemente”

Outras boas opções são os fiéis servidores de uma causa maior. Receberam apenas pelo partido e para contribuir com a plena democracia, sem dar nada em troca para a empreiteira, também desinteressada e sem segundas, terceiras, quartas e quintas intenções.

Os delatores também fazem oferta-relâmpago de gente que entrou no negócio pelo partido e depois se deslumbrou e resolveu se aproveitar da boquinha. E ainda estão à venda os “consultores”, os “palestrantes”, os facilitadores de “licitações” e os ocultadores de bens e recursos que contam com amigos generosos e transportadores de cédulas em malas, mochilas, bolsas, cuecas, calcinhas, meias e onde mais couber.

Os vendedores também são muito generosos. Eles topam devolver parte do dinheiro e ficar menos tempo na cadeia, partindo para o sacrifício da prisão domiciliar. Alguém aí pensou em fazer blequifraidei de tornozeleira eletrônica?

Só que tem que correr pra pegar logo porque a blequifraudei da anistia vem aí. Caixa dois, lavagem de dinheiro e corrupção embalados para presente. Essas mercadorias são estragadas e viciadas, mas sabem se remexer unidas para não se mexer em nada. Trocas de seis por meia dúzia só são aceitas a cada quatro anos.

E, como se não bastasse o atacadão da corrupção, tem ministro agindo no varejinho do interesse pessoal pra garantir um apartamento em Salvador com vista para a África. Tudo com o apoio temerário do chefe. Já deu! A vergonha também está em liquidação.