As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Beijos e piques

Haisem Abaki

23 de maio de 2015 | 13h24

Uma pessoa muito especial descobre que eu corro ouvindo música e quer saber o que vai pelos meus ouvidos. E meus segredos mais aerobicamente escondidos começam a ser revelados. Meu prazo de validade antigo, talvez quase vencido, foi escancarado e até dei um tempo à espera de possíveis gozações enquanto as melodias passavam por ouvidos mais delicados do que os meus.
Air Supply aos montes, Elton John, Rod Stewart, James Blunt, Freddie Mercury, Bryan Adams, Jon Secada, Abba, Phil Collins, Lorrie Morgan, Beach Boys… Algum leitor aí me chamando de véio???
Tem mais… The Temptations, Richard Marx, Foreigner, Plácido Domingo, Andrea Bocelli, John Denver, Michael Learns To Rock, Hermes Aquino (sim, aquele da Nuvem Passageira), Alphaville… Este não é o condomínio, mas o que me deixa Forever Young enquanto corro!!!
Ainda rindo da minha cara e me chamando de véio? Ah, tem também Renato Russo, Flávio Venturini, Caetano Veloso, Laura Pausini, Nando Reis, Jason Mraz… Vai, tudo novo, toca até em novela! Bem atualizado com o meu tempo.
E minhas preferências cinematográficas também estão lá, com a emoção de Cinema Paradiso (eu choro e podem me julgar que não ligo), o tango Por Una Cabeza, de Perfume de Mulher, e a contagiante música africana de Invictus.
Estava pronto para a condenação e querendo saber a sentença que teria de cumprir. Talvez alguma exposição dos meus restos musicais em praça pública… Só que não! Em vez disso, veio (eu disse veio e não véio) um pedido. Sim, alguém queria as “minhas” músicas.
E depois ainda recebi quase que uma análise do meu perfil psicológico, definido como “romântico” por quem agora parece me conhecer eternamente há pouco tempo. Mas surgiu uma dúvida: dá pra correr com músicas lentas? Respondi que sim e fui embora pensando nisso e ainda impressionado com quem conseguiu me decifrar com tamanha rapidez. E mais: me deu de presente de aniversário um Ney Matogrosso cantando Lema. Exatamente a minha cara!
Na corrida que fiz logo depois, pensei 14 quilômetros em tudo aquilo. E percebi, sim, que tenho muitas músicas lentas. Mas no momento, digamos assim, do clímax, da hora do beeeeeijo, notei que apertava o passo e dava um gás. Ficava mais veloz, animado, feliz, extasiado, suado…
Descobri também de onde vem tanto prazer de correr, correr, correr cada vez mais. Quando comecei, era porque estava gooooordo e quis agradar outro alguém muito especial. Hoje sei que não corro por mais ninguém, só por mim mesmo. Corro para ter o vento na cara, a música no ouvido e, quando vem o supremo brinde, a chuva na cabeça. A essa altura da vida, acabando de entrar na “idade da cachaça”, só quero beijos e piques. Não é uma boa ideia?