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Aviso: este texto contém cenas de corrupção explícita

Haisem Abaki

17 Abril 2017 | 12h10

Começo com um pedido de desculpas e depois virá uma confissão. Peço perdão a quem passou por aqui na sexta-feira e não encontrou o esperado (pretensão minha) texto novo. É que eu estava envolvido em uma tarefa que me consumiu nos últimos dias. Não vou mentir. Eu cometi um pecado.

Pior ainda. Eu pequei na Sexta-Feira Santa. E prossegui com meus atos pecaminosos no Sábado de Aleluia. E não deixei de pecar nem no Domingo de Páscoa. As pessoas estavam nas missas e comendo bacalhau. Mantendo a tradição de malhar o Judas e dar balas às crianças. Almoçando em família e se deliciando com o ovo de chocolate que simboliza o renascimento.

E eu lá, os três dias, não vou esconder mais. Fiquei os três dias vendo vídeos e mais vídeos de sacanagem. Sacanagem brava, explícita, descarada, despudorada, escancarada. Coisa hard mesmo. Hardcorrupção da grossa. Eram 78 de um lado e 98 do outro.

Tinha empreiteiro pegando presidente, ministro, senador, deputado, governador. Ou o contrário, já nem sei mais. Tinha gente que era governo e virou oposição e gente que era oposição e virou governo. E tinha quem sempre foi governo. Vamos dar nomes aos tarados por dinheiro público. Os mais gulosos eram petistas, tucanos, peemedebistas e pepistas. Mas a lista é gigantesca: 415 políticos de 26 partidos, segundo levantamento aqui do Estadão.

Tinha até comunista que não ficou nem um pouco horrorizado com o capital da empreiteira. E sindicalista de conveniência. E suspeitas contra jornalista, pastor e índio. Até índio?

O entrelaçamento de rabos presos na corrupção e na lavagem de dinheiro foi tamanho que já não consigo mais saber quem pegou quem. Todos se pegaram numa suruba federal, estadual e municipal.

E a tara libidinosa pela grana da saúde, da educação, da segurança teria chegado a uma proporção pornográfica de dez bilhões de reais. Mas tudo absolutamente normal, passando de pai pra filho no pagamento e no recebimento de propina. Fora aqueles que alegam que foi apenas caixa dois, como se estivessem a dizer que foi só uma transa sem amor e sem importância.

Tudo contado explicitamente, sem nenhum constrangimento. Muito pelo contrário! Os pagadores pegadores pecadores se gabam, se vangloriam, se orgulham de suas conquistas. Jactam-se delas.

E no meio dessa orgia ainda proliferam os torcedores fanáticos dizendo que o adversário foi mais promíscuo. Por favor, não comparem essa volúpia por dinheiro público com a prostituição. Quem se prostitui não merece esse tipo de achincalhe.

E vamos fazer o que a respeito? Continuar achando que o mundo se resume à divisão entre coxinhas e mortadelas? Os dois lados não vão sair às ruas juntos? Porque ficar nessa briguinha não é mais uma santa ingenuidade ou ser simplesmente tolo. É ser cúmplice do saque.

Sejamos menos bundões. É com essa parte que a gente entra quando numa eleição, seja quem for o escolhido, o vencedor é um empreiteiro capaz de comprar “ideologias”. E depois o sujeito faz uma delação como se estivesse numa mesa de boteco contando vantagens machistas aos amigos. Essa eu peguei! Tá vendo aquela ali? Também peguei!