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Ainda o “vai tomate cru”

Haisem Abaki

15 de junho de 2014 | 11h06

Sempre ouvimos dizer e saímos por aí repetindo que “o brasileiro não tem memória”. Será mesmo? Com tanta tecnologia à disposição e as redes sociais instantâneas dá pra armazenar muito mais informação. E desinformação também. É o ambiente perfeito para o surgimento da memória seletiva. Ou da falta de memória seletiva. Cada um escolhe a alternativa mais interessante e manda bala com suas verdades absolutas.
E assim nascem os salvadores da pátria amada, salve, salve. Não me lembro de ter vivido na terra maravilhosa que a oposição de hoje diz ter deixado para todos nós. E também não vejo a nação grandiosa que os governantes dos últimos onze anos afirmam ter criado na base do “nunca antes na história deste país”.
Basta ter um mínimo de sinceridade e não pertencer a nenhuma das torcidas organizadas pra perceber que não existe governo 100%, nem para o bem, nem para o mal. Todos os plantonistas do poder tiveram acertos e erros, inclusive o bigodudo, o caçador de marajás, o saudoso topetudo, o sociólogo, o metalúrgico barbudo e a dona gerente. Ou seria gerenta?
Cada um deles também teve momentos de aplausos e de vaias, que fazem parte do espetáculo. Mas será que vale tudo? Alguns dirão que o cidadão já está indo há muito tempo para “aquele lugar” para o qual parte da torcida abonada da pátria em chuteiras mandou a atual usuária da faixa presidencial.
Mesmo assim, fiquei muito feliz por ter tomado canseira no site de ingressos afortunados da Senhora Fifa. Que alegria por não estar lá naquele instante ao lado dos meus filhos. Eu teria muita vergonha… Isso é pior do que ganhar com pênalti “roubado”. Muito pior.
Qualquer governo, seja de quem for, vai merecer vaias em algum momento. Qualquer um mesmo, até o da minha mãe. Mas é só isso. Todo o resto deve ser feito na seção eleitoral e não no estádio. Não gosta? Então, manda tomar na urna. Só lá. E depois o negócio é passar quatro anos marcando gols, como cobrar, fiscalizar, desconfiar… Xingar é fazer gol contra.
Pra terminar, eu ainda faria dois pedidos. Mãe, nunca se candidate a nada, tá? Nem precisaria me preocupar, já que ela é estrangeira, mas por segurança está dado o recado. O outro é para a moradora temporária do palácio. Não se incomode com xingamentos, encare as vaias e dê um pulo no mundo real de vez em quando. Uma ida ao supermercado já seria um bom começo. Está tudo muito caro. E não é só o tomate cru!

 

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