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A senha, essa assanhada!

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 14h09

Publicado pela 1a vez em 18/01/2008 10:00:00
Nasci em 1964, nos primeiros meses de uma ditadura. Por volta dos 6 ou 7 anos, as pessoas já se encantavam com a minha memória e profetizavam um futuro brilhante. Era um assombo um menino daquela idade ter decorado os nomes de todos os presidentes deste país, de Deodoro a Médici. E não era só: eu também conhecia cada ministro do governo do “milagre econômico”.
Sem falsa modéstia, era um bom “decoreba” e também tirava proveito disso nas aulas de Português, principalmente na conjugação de verbos. Hoje só gosto mesmo do presente do indicativo, mas voltando ao passado percebo não saber mais a ordem dos presidentes (alguns eu até consegui apagar da lembrança – que bom!). Dos ministros, acho que só sobraram uns três no arquivo do cérebro: Delfim, Golbery e Hélio Beltrão (me lembro bem deste último menos pela figura e mais porque adorava repetir a palavra “des-bu-ro-cra-ti-za-ção”).
Também tinha muita facilidade com números, mas não com a Matemática. Quando comecei no jornalismo, em 1986, os colegas logo perceberam isso. Era só alguém dar um grito no meio da Redação perguntando algum número de telefone que eu respondia de pronto. Achavam que eu tinha engolido a lista telefônica. Em pouco tempo, virei “referência” no assunto. Pouca gente sabe, mas eu também “engolia” listas de supermercado.
De repente, numa data e num lugar do passado que não sei com precisão, surgiu a primeira senha. Era de banco e parecia inofensiva, mas hoje sei que ela é a culpada de tudo. Depois se seguiram muitas outras: a do login, a do e-mail, a da caixa postal. Até a mala de viagem tem senha, que mala! De todas, as que mais detesto são as que exigem letras e números juntos. Ah, mas não tem problema! Já inventaram as “frases de segurança”, para nos socorrer nos lapsos de memória. Outro dia mesmo precisei de uma delas. Foi só lembrar a senha do e-mail e fazer o pedido e logo uma bondosa alma virtual me mandou a palavra-chave que abriu a porta da memória adormecida.
Fiz a conta e descobri que tenho 16 senhas. Lembro-me de oito com facilidade e de outras cinco com algum esforço, mas três estão em algum arquivo de “itens excluídos” da memória. Foi a senha para perceber que já não sou mais o mesmo. Vida longa aos sites de busca, à agenda eletrônica e às listas de supermercado!

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