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A protuberância da extravagância

Haisem Abaki

22 Novembro 2013 | 19h49

Escândalos federais, estaduais e municipais surgem com constância
Em todos o ponto em comum é a ganância
Logo de cara prometem rigor na sindicância
Mas em seguida se dizem honestos com jactância
Mostram-se acima de qualquer suspeita em pura arrogância
Defendem investigação sem perder a elegância
As torcidas partidárias se organizam para a militância
E tratam-se como inimigas com intolerância
Uma culpa a outra e partem para a ignorância
Os fanáticos de cada lado se julgam superiores com exuberância
Mas na verdade entre eles não há distância
Repetem que o crime do adversário é pior, sem medo da redundância
Fazem-se de vítimas perseguidas por algozes da beligerância
Mas manobram para se dar bem, seja qual for a circunstância
E nas raras vezes em que são punidos alegam que é implicância
Usam velhas frases batidas com recalcitrância
Como se todos fossem ingênuos e ainda estivessem na infância
Voto comprado e propina estão em perfeita consonância
Os enganadores são muito parecidos, mas fingem indignação e discordância
Quando a coisa fede ainda tentam disfarçar com alguma fragrância
Um olha para o rabo do outro enquanto esconde o próprio em concomitância
O dinheiro público é tratado sem a menor importância
E quem paga as contas tem mais é que ficar quieto, na insignificância
O cidadão de bem que se dane em abundância
E chega porque já está dando ânsia