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A linguagem universal da bola

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 14h33

Publicado pela 1ª vez em 20/06/2010
Copa do Mundo não é só bola rolando. É também um pouco de geografia, história, antropologia, sociologia, filosofia, política, cultura geral, linguagem e um monte de outras coisas misturadas num caldeirão. Tem gente que usa esses argumentos para justificar a importância que dá ao evento.
Claro que também há a exploração comercial com a exposição de marcas para aproveitar o espírito patriótico que ressurge a cada quatro anos. Nossos heróis aparecem em campanhas publicitárias como guerreiros, cheios de disposição para a luta. Tem gente que usa esses argumentos para menosprezar a competição, mesmo dando uma espiadinha.
Os dois lados têm as suas razões e, sem ficar em cima do muro, concordo com todos. Mas eu acompanho a Copa pra ver 22 caras (pra mim todos feios!) correndo atrás de uma bola mesmo, sem achar que eles vão salvar a nação ou que preciso beber a cerveja deles para me tornar um batalhador.
Pense bem: em que outra situação a gente consegue testemunhar os Estados Unidos sendo sacaneados sem fazer ameaças de retaliação, sem invadir outro país ou sem chamar a ONU para tomar uma posição drástica? Só no futebol, quando um árbitro (terrorista!) erra ao anular um gol que seria da vitória.
Na Copa, favoritos poderosos podem ser surpreendidos, como a França tomando olé do México, a Espanha levando um chocolate da Suíça, a Inglaterra num deserto de gols diante da Argélia ou a Alemanha recebendo água no chope da Sérvia.
Por enquanto, Brasil e Argentina ainda podem comemorar enquanto especialistas discutem teses sobre a “dunganização” e a “maradonização” do futebol. Em breve saberemos quem será o vencedor ou se os dois vão virar vocabulário pobre.
Mas para mim o melhor de tudo é ver a África do Sul como centro das atenções e indo em frente, apesar das marcas do passado. Palavras africanas já caíram na boca do povo, do pueblo, do people… Todo mundo já fala em fluente “africanês futebolístico” sem receio de errar.
Vendo o primeiro jogo do Brasil com colegas de trabalho, ouvi alguém reclamando do barulho da torcida:
– Ai, como é chata essa “Vuvulani”!
É isso aí, sem medo de dar bola fora! Viva a “Vuvulani”! Viva a “Jabuzela”! A Copa da África, apesar do frio que faz lá, está “Abafando, Abafando”!

*Texto publicado na edição deste domingo, 20/06/2010, do jornal O Diário, de Mogi das Cruzes.

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