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A felicidade num clique

Haisem Abaki

29 Janeiro 2016 | 09h55

Abro o e-mail e vejo uma “mensagem importante”. O remetente se identificou como meu anjo da guarda e disse que tinha revelações a fazer. E foi direto ao assunto, anunciando “perspectivas repletas de sorte” para este ano.

Mais adiante, soube que na verdade era um intermediário. “Um anjo veio falar comigo sobre você”, avisou. Em seguida, adiantou que eu teria “um período de abundância sem precedente”.

O mensageiro das boas-novas prosseguiu informando que “a sorte, o amor e o dinheiro vão jorrar na sua vida”. E mais detalhes poderiam ser obtidos “gratuitamente”.

Estou muito longe de ser um incrédulo, muito pelo contrário. Sempre fui curioso diante de temas esotéricos, espirituais e “do além”. Costumo “ver sinais” em situações e acontecimentos. E que cada um acredite livremente no que quiser. Ou não. Só que esse negócio de “clique aqui”… Já fiquei satisfeito com as informações básicas. Valeu anjo!

Próxima mensagem, por favor. Era um sábio dos números, um mago da matemática. Enfim, uma alma boa querendo “compartilhar” o vasto conhecimento de “como ganhar várias vezes na loteria”. Um “método infalível”. O sujeito, ricaço, resolveu enriquecer o mundo. E de novo eu estava a um clique da milionária revelação. Olha, no anjinho eu até clicaria, mas no rei das loterias…

Mais uma checagem e apareceu alguém interessado no meu bem-estar com um “ganhe dinheiro fácil online”. Até dez mil reais por semana!!! E o autor de tamanha caridade assegurava que não era corrente… Bastava ver o vídeo em anexo pra aprender tudo, mas decidi não ficar “acorrentado”.

Já deu, né? Nada mais de mensagens benevolentes e salvadoras. Fui para um compromisso e acabei chegando mais cedo. Vinte minutos antes da hora marcada. Vi que havia uma lotérica perto e, incrível (!), estava vazia. Um sinal? Entrei e senti o ambiente. Não sou muito de jogar, a não ser na base da “pressão psicológica” dos bolões de amigos. Mas, como estava com tempo…

Só dei uma olhada nos volantes. É esse o nome? Mega-Sena eu evito. Tenho memória boa (ainda) e as dezenas ficariam martelando na minha cabeça. Então, não gostaria de criar essa dependência com medo de não jogar e os seis números serem sorteados. Fui para a Lotomania. Cinquenta marcações sem o risco de decorar. A máquina pode fazer o jogo se o apostador quiser, mas escolhi sozinho todas as possibilidades, como autêntico senhor do meu destino.

Gastei R$ 1,50 com a aposta e veio a grande surpresa… Acertei 16 e ganhei um prêmio de… Vou escrever por extenso para parecer mais. Ganhei vinte e sete reais e trinta e sete centavos! Dinheirama devidamente recebida e torrada.

Agora já posso me dedicar a ajudar o próximo com a minha imensa generosidade. Algo do tipo “como ganhar 1.500% mais do que você apostou”. Técnicas científicas de um “chutólatra”. Tudo com um simples clique. Só preciso fazer um curso básico de cara-de-pau. Felicidade garantida. É muita  “feli$$idade”!