Vem aí mais um ‘Dia do Tietê’

Geraldo Nunes

16 de setembro de 2013 | 15h16

Dia 22 de setembro, é o Dia do Tietê, mas queridos leitores e ouvintes, quero antes de abordar esse tema, registrar minha satisfação de estar escrevendo um blog disponível no portal de notícias de O Estado de São Paulo, ao lado de nomes tão importantes do jornalismo.

Vou procurar nesse espaço, ausente dos microfones, mostrar como é o nosso trabalho no rádio, a interação com o ouvinte e os resultados naquilo que diz respeito à qualidade da informação.

O nome que escolhido para este blog, “Madrugadas & Memórias”, diz respeito aos programas que venho apresentando atualmente. O Estadão Notícias, que vai ao ar entre meia-noite e seis da manhã, ao lado do colega Norberto Notari e o Estadão Acervo, que faço nos finais de semana. Neste último, buscamos viajar através da memória afetiva, trazendo aos ouvintes notícias importantes ou interessantes, veiculadas pelo jornal O Estado de São Paulo, ao longo da história.

Essa prática de cultivar a memória aprendi em outras épocas, quando apresentei na Rádio Eldorado o programa São Paulo de Todos os Tempos, que acredito, tenha ajudado conscientizar muitos cidadãos sobre a importância de se preservar a memória pública. Pelo mesmo período apresentei um programa nas madrugadas chamado De Olho na Cidade, onde observávamos São Paulo pelo ponto de vista atual, tudo alicerçado pelos relatos do trânsito e nossos sobrevoos matinais de helicóptero.

Isso tudo corresponde a um período de vinte anos. Nova etapa se abre agora, onde buscarei na memória situações interessantes para contar aqui, além de trazer a todos os relatos atuais de nossos ouvintes, sempre muito bem-vindos.

Um ponto importante a destacar é que para a população paulistana despertar para a necessidade de se ter rios limpos e saudáveis, foi preciso um empurrão de dois milhões e meio de assinaturas obtidas pela Rádio Eldorado, em 1990 que elaborou um abaixo – assinado pela despoluição do Rio Tietê, em um trabalho de mobilização poucas vezes visto.

Sinto-me feliz por ter feito parte dessa equipe que saía às ruas pedindo assinaturas e de ter apresentado inúmeras reportagens sobre o tema. Tal iniciativa da Rádio Eldorado em conjunto com a Fundação SOS Mata Atlântica, criou o Núcleo União Pró – Tietê, que acabou por sensibilizar o governo do Estado, que em 1992, dando início ao Projeto Tietê que de início se propunha a devolver a água limpa para o rio em médio prazo, mas percebeu-se que era preciso aprimorar tentativas infrutíferas do passado para despoluir o rio.

Na história, esse rio chamado pelos índios de Anhembi, morreu definitivamente para a cidade no que diz respeito ao lazer e às competições esportivas, em 1942, quando aconteceu a última “Travessia de São Paulo a Nado”, competição que se assemelhava à uma São Silvestre aquática. A decisão de se encerrar definitivamente a prova aconteceu porque a carga de poluição nas águas do rio Tietê já colocava em risco a saúde dos competidores.

Na tentativa de se reverter a situação, começaram a surgir “remédios milagrosos” para ressuscitá-lo, mas nada foi além de palavras vãs.

A primeira iniciativa foi um plano elaborado pela empresa americana Hazen & Sawyer, que previa uma estação de tratamento às margens da represa Billings, na zona sul de São Paulo, e mais três pequenas estações, algo coerente visto aos olhos de hoje pelo grau de poluição desta represa e de seu principal alimentador, o Rio Pinheiros, mas insuficiente para livrar a bacia do Tietê como um todo. De todo modo, nunca saiu do papel.

Depois veio o Convênio Hibrace, uma união de três empresas que começaram a colocar em prática outro plano elaborado por uma consultoria americana, chamada Greeley e Hansen. Os americanos erraram feio na previsão do crescimento populacional, calculando que no ano 2000 a cidade de São Paulo teria 5 milhões de habitantes (na verdade passava dos 10 milhões). Mesmo assim, chegaram a ser construídas duas estações de tratamento primário dos esgotos, Vila Leopoldina e Pinheiros, que existem até hoje.

Um projeto ‘genial’ apareceu na década de 1970, com o nome de Solução Integrada. A ideia era canalizar todo o esgoto para coletores às margens dos rios e jogar a sujeira numa enorme lagoa de estabilização num vale da Serra da Cantareira, que margeia as zonas norte e oeste da cidade.

Seria literalmente uma represa podre e também não saiu do papel. Em seguida veio o Projeto Sanegran – Saneamento da Grande São Paulo, que aproveitava a idéia dos coletores ao longo dos rios, com a diferença de que o esgoto seria levado a três estações de tratamento — Suzano, Barueri e ABC.

Chamado de faraônico na época, mas até coerente para os dias de hoje, embora também não abrangente na capacidade da bacia, previa uma estação gigantesca em Barueri com capacidade para tratar 60 metros cúbicos por segundo.

Esse projeto discutido durante o governo Paulo Egídio Martins e elaborado no final dos anos 70, arrastou-se por mais de uma década, amarrado por ações populares na Justiça, geralmente encaminhadas por vereadores da Grande São Paulo, contrários à obra, ora pela falta de verbas.

Enquanto se discutia, a quantidade de esgoto jogado ao rio, a poluição não parava de crescer. O atual Projeto Tietê, prevê cinco estações de tratamento em lugar das três originais do Sanegran, porém mais modestas, com conclusão prevista para 2020.

Espera-se para essa época, pelo menos a volta o oxigênio às águas que passam pela Grande São Paulo, embora o alargamento da marginal e o aumento considerável da frota viária ajudem a dificultar isso.

Verdade também é que em Barra Bonita se voltou a pescar, algo que já não acontecia mais a coisa de dez anos. Daí a dizer que estaremos livres da poluição, isto parece ser um sonho ainda quase impossível. Mas agora é hora de se refletir mais sobre o tema: 22 de setembro é o dia do Tietê.

 

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