“Teens” e coroas se encontram para mais um festival de rock

Geraldo Nunes

26 Março 2015 | 06h03

Rita Lee em uma de suas canções diz, “estou ficando velho e cada vez mais louco varrido, roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido” depois acrescenta, “vou botar fogo nesse asilo, desculpe a minha caducagem.” O fato não se resume ao Brasil, é um fenômeno mundial, os roqueiros envelheceram e neste limiar de século XXI, curtem as mesmas músicas que curtiam 40 anos atrás, lançadas pelo Black Sabbath, Deep Purple e Judas Priest, entre outras bandas. Já a meninada de hoje ouve esses sucessos antigos, como Rock’n Roll All Night” da banda Kiss, de 1975 e gostam muito. Quem diria, gerações diferentes gostando de um mesmo tipo de música. Isso proporciona o interesse em investir para se promover festivais de rock no Brasil.

Só na divulgação de cervejas o investimento gira em torno dos 60 bilhões de reais. A Heineken, desembolsou 10 milhões de reais para estar, no festival Lollapalooza, neste fim de semana, em São Paulo. Desde o fim de 2011, quando a empresa resolveu turbinar sua presença em eventos do tipo, o verde da marca também pintou os copos do público do SWU e Rock in Rio. A presença em eventos desse tipo fez a Heineken crescer – e muito – no Brasil. Só no ano passado, seu volume de vendas subiu 47%. E isso sobre uma base que já havia aumentado 87% no ano anterior.

A Budweiser, da Ambev, chegou ao país nesse ínterim, fez aplicações pesadas e chegou a conquistar, no ano passado, a liderança da rival no mercado premium internacional, que considera apenas os rótulos globais comercializados por aqui. “Essa é uma disputa fundamental”, afirma Adalberto Viviani, diretor da consultoria especializada em bebidas Conceptnet. “Embora se dê em território brasileiro, ela reproduz a necessidade que as empresas têm para transformarem Heineken e Budweiser em marcas de classe mundial, bem conhecidas, mas também consumidas”, completou.

O público que frequenta festivais adora cerveja, embora sua venda seja proibida a menores de 18 anos, mas é por isso que teremos um festival de rock neste fim de semana e outro na terceira semana do mês que vem.

A palavra da vez se escreve assim: “Lollapalooza”, outras vezes pronunciada “lollapalootza” ou “lalapaloosa”, nome cujas raízes históricas remontam a passagem do século XIX para o século XX, cujo significado é: Algo extraordinário ou incomum; coisa, pessoa, ou evento e ainda; uma excepcional circunstância. Com o tempo, o termo passou também a significar um grande pirulito (em inglês lollipop).

O músico norte – americano Perry Farrell, em busca de um nome para o festival que organizava para apresentar sua banda e torná-la conhecida, gostou da sonoridade do termo ao ouvi-lo em um filme dos Três Patetas e decidiu usá-lo como marca desse festival que reuniria também outras bandas.

O ano era 1991 e Farrell liderava o grupo Jane’s Addiction e com ele viajou pelos Estados Unidos. No entanto para conseguir mais público, convidou outros músicos e outros conjuntos de rock para integrar esses shows nascendo assim a tradição do Lollapalooza, que se tornou um festival diferenciado por reunir quatro palcos em um mesmo espaço, colocando as bandas para tocar às vezes ao mesmo tempo. A ideia foi comemorada pelo público e ganhou caráter internacional, acontecendo hoje em diferentes países. O Lolla se tornou constante a cada ano, apenas em 2005 e, tradicionalmente desde então, vem acontecendo todos os anos no Grant Park, de Chicago. Foram nos palcos desse festival que grupos recém – nascidos como o Red Hot Chili Peppers, Nine Inch Nails, Soundgarden, Muse, The Strokes, The Killers, entre outros, conseguiram se popularizar graças aos fãs sintonizados em um mesmo tipo de música e sedentos por novidades.

O mais interessante é que os cinqüentões e os “teens”, convivem pacificamente nessa mesma aldeia. O rock pesado surgiu nos anos 70 e as bandas da época são curtidas também pelos jovens de hoje.
A primeira edição internacional do Lollapalooza se deu em 2011, no Chile, em Santiago. No ano seguinte veio ao Brasil trazendo as atrações Foo Fighters e Arctic Monkeys. Em 2013 foi a vez do Pearl Jam e QOTSA que desembarcaram na capital paulista para a segunda edição nacional, que também trouxe The Black Keys e Alabama Shakes. No ano que vem a Argentina terá seu primeiro Lollapalooza e esse ano no Brasil, a festa acontece no Autódromo de Interlagos, na capital paulista, tendo como atração um dos grandes nomes da história do rock que é Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, agora em carreira solo, além da apresentação em palcos separados de outros artistas, bandas e vários DJ’s.

São Paulo é uma das cidades onde há mais roqueiros no Brasil, tanto que há 21 anos é promovido o Festival “Monsters of Rock” e ao que parece, a edição de 2015 será inesquecível. As datas já estão marcadas, 25 e 26 de abril, na Arena Anhembi, onde estarão presentes os representantes das três principais bandas de ‘heavy – metal’ do mundo. Se apresentam em São Paulo, Ozzy Osbourne, fundador do Black Sabbath, a banda norte – americana Kiss e o Judas Priest. O Kiss é uma banda masculina que começou a fazer uso da maquiagem, assim que surgiu, no começo dos anos 70 fazendo disso sua marca registrada.

Rostos pintados de branco, batom e desenhos pretos na face. Tem alguém que não os reconheça através dessa descrição? Mas algumas versões dão conta que o Kiss seria uma cópia da banda brasileira Secos e Molhados, aquela dos tempos em que Ney Matogrosso cantava com o rosto pintado. O jornalista Ricardo Batalha, editor – chefe da revista Hard Crue diz que já ouviu bastante essa história e garante que ela não tem nenhum fundamento. “O Kiss começou em 1970 e os Secos & Molhados só vieram depois quase em 1973”, assegura.

Não poderíamos deixar de citar a banda britânica Judas Priest, cujo nome foi inspirado na canção “A Balada de Frankie Lee e Judas Priest” do cantor Bob Dylan. Todo o visual e a simbologia do “heavy-metal”, inclusive o gosto e a moda tatuagens vieram por inspiração dessa banda. Essas três bandas que estão resgatando a formação original se apresentam na terceira semana de abril, na Arena Anhembi, em São Paulo, dentro do festival “Monsters of Rock”.