Os 20 anos do Windows 95 e o museu brasileiro do computador

Geraldo Nunes

30 de agosto de 2015 | 12h36

Há 20 anos os computadores passariam em definitivo a fazer parte do cotidiano das pessoas. Era lançado o Windows 95 que pelas facilidades e benefícios que trazia, conquistou seu espaço não só nas empresas, mas dentro das casas, nos lares de cada um de nós. Em julho último, a Microsoft lançou o Windows 10 que pode ser baixado gratuitamente e entre os dois, claro, existe um abismo de capacidades.

O Windows 95 era vendido em lojas especializadas e chegava em uma caixa contendo oito disquetes a serem instalados no PC. Com o Windows 95 as pessoas começaram a armazenar fotografias e gravações e o computador deixou de ser um objeto de uso exclusivo do escritório, entrando para dentro das residências.
Um empresário de informática que pesquisa a evolução dos computadores desde 1961, José Carlos Valle, guarda em um galpão, em Itapecirica da Serra, cerca de 125 mil itens entre computadores, programas e peças digitais que ele pretende transformar no Museu do Computador. Para isso ele busca parcerias porque sua proposta é bem ousada e abrange uma viagem no tempo mostrando a evolução não só dos computadores, mas também dos videogames. Por isso admite que classificar o projeto apenas de museu é algo simples demais, “na verdade será uma arena – tech”, afirma.

José Carlos Valle decidiu preservar também os computadores fabricados no Brasil na fase da reserva de mercado, entre 1984 e 1992, quando o país proibia a utilização de tecnologia estrangeira para projetos digitais. A proposta era formar e desenvolver tecnologia brasileira, especializada na montagem microeletrônica de computadores, arquiteturas de hardware, desenvolvimento de software básico e de suporte, entre outros. Mas não havia no país conhecimento suficiente para se desenvolver algo competitivo com o exterior e hoje tudo aquilo que foi fabricado não serve para absolutamente nada. “Até uma máquina de escrever tem, cronologicamente, mais tecnologia que os PCs nacionais da Cobra, Cisco e Sharp colocados à venda nessa fase, mesmo assim preservo para efeito de pesquisa histórica, pois a ideia do museu abrange informação do passado, educação e conhecimento”, avalia o pesquisador digital.

O Museu do Computador por enquanto não está aberto ao público, mas o objetivo é abri-lo o quanto antes. Valle sugere parcerias que vão da doação de máquinas antigas por parte de empresas até financiamentos com base na lei de incentivo a cultura. “Recolher lixo eletrônico para nós é importante porque uma parte vai para o acervo do museu e outra parte nós vendemos e com esses recursos ajudamos na manutenção do projeto”.

Única pergunta que o empresário e curador do Museu do Computador, José Carlos Valle, ainda não pode responder é se o Windows 10 terá alguma chance de no futuro ser tão amado quanto o Windows 95 foi, em sua época. “Essa é uma questão que só o tempo saberá responder”, conclui deixando à disposição dos interessados em parcerias, palestras ou exposições, bem como aos simplesmente curiosos os seus contatos: www.museusdocomputador.org.br ou pelo telefone 11- 4666-7545

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