O sistema boliviariano nas ondas do Rádio

Geraldo Nunes

14 de novembro de 2014 | 04h39

O ouvinte de rádio é diferente do leitor de jornal porque aquele que lê pode guardar consigo a informação documentada e se for o caso ler novamente e até consultar novas fontes para saber mais.

Mas há pessoas que ouvem exclusivamente rádio para se informar e por melhor que se faça o trabalho jornalístico da informação em tempo real, nem sempre se alcança a compreensão imediata de um fato e as consequências dele.

Diante disso uma dúvida tem surgido entre ouvintes que interagem comigo nas madrugadas pela Rádio Estadão e procuro esclarecer: O que vem a ser “sistema bolivariano”?

Simón Bolívar é considerado na América Latina um herói revolucionário e libertador que liderou a Bolívia, a Colômbia, o Equador, o Panamá, o Peru e Venezuela, seu país Natal, nos movimentos do século XIX de busca à soberania em relação à Espanha.

No início do século XXI o ex-presidente venezuelano Hugo Chavez, acreditando seguir os princípios de Simon Bolivar, lançou as bases do que classificou como “sistema bolivariano de governo”, encarado pelos setores de oposição de seu país como “populista”. Populismo é o tipo de governo onde o governante agrada o povo com pequenos benefícios de forma a se garantir no poder graças ao “apelo” popular.

No Brasil quem faz oposição ao PT e ao governo de Dilma Rousseff acusa a situação da mesma prática, ou seja, de bajular a população com pequenos presentes, como o Bolsa Família, e assim obter o apoio das urnas para a reeleição da presidente.

Os opositores do governo dizem ainda que o marco regulatório da imprensa que setores petistas recomendam serem colocados em prática durante este segundo governo Dilma, onde de forma sutil se introduz a censura aos jornalistas é uma prática do “sistema bolivariano. Outra seria a implantação dos conselhos cociais, que buscam criar um poder representativo que enfraqueça o poder de argumentação do Congresso Nacional. Um terceiro ponto é a pretensão de se estabelecer uma reforma política no país que venha a fortalecer determinadas instituições ou partidos e enfraquecendo as oposições.

Aos ouvintes que me perguntam se o governo pretende implantar no Brasil um sistema bolivariano para administrar o país respondo acreditar que não. Entendo que o país manterá os rumos da abertura democrática acreditando no passado de lutas da presidente Dilma que garantiu em seu primeiro mandato que não iria instituir censura e por conseguinte nada que venha  lembrar práticas autoritárias. A presidente prometeu, esperamos que cumpra.

O ouvinte participa com mensagens no programa Estadão Notícias que vai ao ar entre meia – noite e cinco da manhã na Rádio Estadão. Ouça: http://radio.estadao.com.br/player/

 

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