O dia Mundial do Rádio e seu inventor, o padre Landell de Moura

Geraldo Nunes

13 Fevereiro 2015 | 11h12

Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro a Unesco celebrou o Dia Mundial do Rádio modestamente inventado pelo padre-cientista gaúcho, Roberto Landell de Moura, o primeiro homem do mundo a transmitir a voz humana sem fio.

Por ter enfrentado problemas com a Igreja, pois alguns de seus superiores acreditavam tratar-se de bruxaria, Landell demorou no registro de algumas patentes e mundialmente os louros da invenção do rádio ficaram para o italiano Guglielmo Marconi. Hoje especialistas reconhecem que Marconi é o inventor somente da rádio – telegrafia e o padre Landell da radiofonia.

Em um domingo, 16 de julho de 1899, Landell de Moura fez uma experiência pública na capital paulista, em que se comunicou do Colégio Santana, em uma colina da rua Voluntários da Pátria, na zona norte, até a Ponte das Bandeiras, em uma distância aproximada de 3,8 km. “Toquem o hino nacional”, ordenou o padre-cientista, através do tubo do aparelho. Em seguida, ouviu-se o som pátrio.

Essa pioneira experiência foi testemunhada pelo fundador e diretor da Escola Politécnica de São Paulo, Antônio Francisco de Paula Souza, o gerente da Companhia Telefônica, J. Miranda, empregados do Telégrafo Nacional, empresários e jornalistas.

Na época seis jornais noticiaram o fato inédito: O Estado de S.Paulo, O Commercio de São Paulo, Correio Paulistano, Jornal do Commercio (RJ), A Imprensa e Jornal do Brasil.

Depois o padre Landell fez outras experiências – entre a Avenida Paulista e o alto de Santana, por exemplo, e patenteou as suas invenções no Brasil. Apesar de todos os esforços, não recebeu o apoio nem o patrocínio de ninguém e ainda amargou a destruição dos seus incríveis aparelhos por um grupo de fiéis ensandecidos que acreditavam ser ele um padre que se comunicava com o demônio.

Firme em seus propósitos e consciente do valor científico que dispunha nas mãos, foi para os Estados Unidos e lá obteve três patentes, no final de 1904.

De volta ao Brasil, acreditando que o novo momento lhe seria favorável, tentou convencer o Governo Federal a utilizar os seus aparelhos nas fortalezas do Rio de Janeiro e não foi atendido. Solicitou recursos ao Governo de São Paulo para industrializar o rádio e também não obteve resultado.

Injustiçado em seu próprio país, o padre Landell de Moura assistiu à instalação da rede de telegrafia marítima e ao início da radiodifusão. Tudo com tecnologia importada.

Hamilton de Almeida, biógrafo do padre-cientista explica que o nome do inventor brasileiro aparece como o pioneiro na invenção do rádio em um livro italiano, “Tu piccola scatola La radio: fatti, cose, persone”, de Laura de Luca e Walter Lobina, pela “Encyclopedia of Radio”, edição lançada nos EUA e na Grã-Bretanha, e em obras alemãs – “Pater und Wissenschaftler e Göttliche Geistesblitz”, de Eckart Roloff. “Com o passar do tempo suas patentes norte-americanas foram citadas nas referências de outros seis inventos lá patenteados e além disso, o texto de uma carta-patente de 2012 reconhece o seu pioneirismo na transmissão da voz humana sem fio”, informa Hamilton.

Ele acrescenta que o nome do padre Roberto Landell de Moura já consta no livro de ouro do Panteão dos Heróis da Pátria em Brasília, mas ainda falta celebrá-lo nas escolas de ensino fundamental de nosso país e internacionalmente como o verdadeiro Pai do Rádio. “Falta os jovens brasileiros conhecer este herói nacional”, defende o biógrafo.