Muro de Berlim é hoje exemplo para a democracia

Geraldo Nunes

08 de novembro de 2014 | 05h44

A Segunda Guerra Mundial durou seis anos, entre 1939 a 1945, resultando entre 50 e 70 milhões de mortes. De um lado as forças do Eixo comandadas por Adolf Hitler que invadiram a Polônia se seguindo a isso uma série de atrocidades incluindo o Holocausto aos judeus e a tentativa de dominar a Rússia quando enfim houve a derrota para o exército vermelho, comandado por Stalin. Antes disso os Países Aliados dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra. Foi o conflito mais letal da história da humanidade, onde pela primeira vez se fez uso da bomba atômica.

Após o conflito, a Alemanha foi dividida pelos Aliados em quatro zonas de ocupação militar; as três zonas a oeste viriam a formar a República Federal da Alemanha (conhecida como Alemanha Ocidental), enquanto que a área ocupada pela União Soviética se tornaria a República Democrática da Alemanha (conhecida como Alemanha Oriental), ambas fundadas em 1949. A Alemanha Ocidental estabeleceu-se como uma democracia capitalista e a sua contraparte oriental, como um Estado comunista sob influência da União Soviética. A decisão, no entanto, causou desconforto e incertezas ao povo alemão e em pouco tempo começaram as iniciativas de mudança do lado oriente para o ocidente.

Vale lembrar que a Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, mas o Muro de Berlim só foi construído em 1961. Neste período de 16 anos, aproximadamente três milhões e meio de alemães orientais fugiram para o lado ocidental. O Muro de Berlim foi implantado para impedir novas fugas. Tinha 66 kms e meio de extensão, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas. Era patrulhado 24 horas por policiais acompanhados de cães ferozes. A ordem passou a ser atirar em quem tentasse passar de um lado para o outro.

Politicamente, o Muro de Berlim representava a prova concreta de uma competição que buscava mostrar quem era mais poderoso, a União Soviética ou os Estados Unidos. A isto se chamou de Guerra Fria. Ninguém se atacava, mas mísseis eram apontados de um lado ao outro com os dois buscando mostrar em tudo que um era mais poderoso que o outro. Enquanto isso, o Muro de Berlim permanecia dividindo famílias, sentimentos e relações pessoais. A isso acredito que se atribuiu o nome de Muro da Vergonha, principalmente pelos erros cometidos por um povo que no início apoiou o nazismo.

A Guerra Fria continuava quando Mikhail Gorbachev, assumiu o comando da União Soviética, em 1985, mas a situação econômica das repúblicas comunistas já não era tão favorável  e na tentativa de salvar o regime, Gorbachev implanta a perestroika que propunha a restauração econômica com a abertura para o capital e novos mercados, mas as pressões eram imensas e a glasnost, outra ideia de Gorbachev procurava mostrar que o jogo era aberto, havendo transparência os atos do governo.

Nada porém segurou os anseios da massa popular que saiu às ruas no memorável dia 09 de novembro de 1989. Era 10 da noite  quando uma multidão pacífica marchou em direção às passagens do muro de Berlim querendo ir para o outro lado. Os guardas da fronteira sem saber o que fazer, levantaram as cancelas e deixaram o povo passar. A Alemanha voltou a ser uma só. O muro da vergonha começava a ser derrubado e nas ruas havia uma verdadeira festa com batucada e o povo nas ruas festejando a Queda do Muro de Berlim.

Todas as transformações ocorridas após esse processo de desmembramento político geraram modificações nas relações diplomáticas entre os líderes das nações que integravam o bloco comunista e o governo da União Soviética. Além disso, o anseio popular por autonomia foi reavivado, levando várias Repúblicas a se declararem independentes a partir de 1991, colocando à União Soviética.

A Rússia, devido o seu enorme arsenal militar, foi designada pela comunidade internacional para ocupar o espaço da ex-União Soviética, reconhecida também pelo Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas. Logo depois aconteceu a divisão da Tchecoslováquia em duas nações e ainda a dissolução da Iugoslávia. Com isso, o leste europeu pode ainda ter fragmentações, como se percebe atualmente na Ucrânia, mas o fim do Muro de Berlim é hoje um exemplo para a democracia embora, inclusive no Brasil, alguns setores tendem a uma orientação política que sugira o retrocesso.

O professor de História do Curso Anglo, Lauro Kodama Seco, lembra que há lugares do mundo, onde ainda muros dividem ideais e separem ideologias, “é o caso das duas Coreias e da fronteira entre os Estados Unidos e o México”, lembra.

O programa Estadão Acervo também fala sobre o Muro de Berlim. Ouça: http://radio.estadao.com.br/busca/Acervo

 

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