Morgado de Mateus é nome de rua e de um título de nobreza

Geraldo Nunes

18 de maio de 2015 | 06h28

Morgado de Mateus dá nome a uma rua no bairro da Vila Mariana, mas não é nome de gente e o dono desse título nobiliárquico governou São Paulo. O Arquivo Público do Governo do Estado de São Paulo promove a partir de 28 de abril a exposição “Em nome d’ El Rey : 250 anos do governo do Morgado de Mateus em São Paulo – 1765 – 2015”. A mostra exibe documentos durante a fase colonial na capitania de São Paulo e ficará em cartaz até o dia 31 de julho de 2015.

A figura central da mostra é Luís António de Sousa Botelho Mourão, que recebeu do rei de Portugal um titulo de nobreza diferenciado. Em vez de barão, visconde ou marquês; a denominação foi morgado, baseado na transmissão da posse de terras em regime de morgadio, ou seja, uma forma de organização familiar cuja linhagem de sucessores, possuía código, estatutos e comportamentos a serem seguidos. Em Lisboa há uma freguesia com o nome Mateus onde foi construído um palácio residencial destinados aos nobres sucessores do morgadio e por consequência Condes de Vila Real.

O nosso Morgado de Mateus foi o quarto na linhagem de sucessores e viveu entre 1722 e 1798. Ele chegou ao Brasil a pedido do Rei de Portugal em 1765 e governou São Paulo durante dez anos na busca de reverter o quadro de pobreza e abandono em que capitania se encontrava após o término da fase de entradas e bandeiras que desviou o interesses para Minas Gerais onde havia ouro, deixando São Paulo na penúria e quase abandonada. Toda a região sul do Brasil, do Paraná ao Prata, estava também ameaçada pelo risco de ocupação por parte das colônias de língua castelhana, dominadas pela Espanha. Para modificar essa situação, o Morgado de Mateus organizou o governo, reforçou as defesas, criou vilas onde hoje estão cidades como Jacareí e São José dos Campos, recenseou a população e fomentou a economia. “Todas essas atividades geraram documentos escritos, como requerimentos, alvarás, avisos, provisões, patentes e cartas de sesmarias, que estão preservados e fazem parte da mostra”,informa Marcelo Quintanilha, curador da exposição e também diretor do centro de acervo permanente do Arquivo do Estado que vê na pesquisa a possibilidade do público interessado descobrir como funcionavam os governos e agiam os governantes do passado. “Esse levantamento esclarece como se davam as relações de poder entre o Estado e a economia, justiça, organização militar e agrária, proporcionando um espelho onde se pode observar o passado.

O evento de abertura terá início às 9h30, com o Seminário: “Em Nome d´El Rey: 250 anos do governo Morgado de Mateus em São Paulo -1765-2015”, terá a participação de Heloísa Belloto, professora de História da Universidade de São Paulo – USP e consultora da exposição. Também estarão no encontro, Ana Canas; diretora do Arquivo Histórico Ultramarino do Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal, Norma Cassares; diretora técnica do Núcleo de Conservação do Apesp – Portugal.

Finalizam o encontro, Jobson Arruda, professor do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História Econômica da USP e Vera Ferline; diretora do Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos e presidente da Comissão Gestora da Cátedra Jaime Cortesão do Instituto Camões; Pablo Oller, pesquisador da Cátedra Jaime Cortesão; e Ana Maria Camargo, professora do Departamento de História da USP e autora de trabalhos na área de arquivos.

Direcionada a todos os públicos, a exposição “Em Nome d’El Rey”, conta com material de apoio especialmente dirigido aos visitantes que querem aprofundar o conhecimento na história de São Paulo, mergulhando no acervo do Arquivo Público. A exposição tem o apoio do Consulado Geral de Portugal, da Universidade de São Paulo – USP e da Casa de Mateus, instituição cultural localizada em Vila Real, Portugal.

Confira os nomes de todos os Morgados de Mateus

António Álvares Coelho, 1.º morgado de Mateus;
Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata (1669-d. 1730), 2.º morgado de Mateus;
António José Botelho Mourão (1688-1746), 3.º morgado de Mateus;
Luís António de Sousa Botelho Mourão* (1722-1798), 4.º morgado de Mateus;
José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1758-1825), 5.º morgado de Mateus;
José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1785-1855), 6.º morgado de Mateus, 1.° Conde de Vila Real;
Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1815-1858), 7.º morgado de Mateus, 2.° Conde de Vila Real;
José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1843-1923), 8.º e último morgado de Mateus, 3.° Conde de Vila Real;
Fernando de Sousa Botelho e Melo (1870-1928), 4.° Conde de Vila Real, 3.º Conde de Melo;
Maria Teresa de Sousa Botelho e Melo (1871-1947), 5.° Condessa de Vila Real, 4.ª Condessa de Melo, 2.ª Condessa de Mangualde;
Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque (1909-1973), 6.° Conde de Vila Real, 5.ª Conde de Melo, 3.ª Conde de Mangualde;
*governou São Paulo.

Serviço:

“Em Nome d´El Rey: 250 anos do governo Morgado de Mateus em São Paulo – 1765-2015”
Período: de 28 de abril a 31 de julho de 2015
Local: Arquivo Público do Estado de São Paulo (Piso Térreo)
Rua Voluntária da Pátria, 596 – Santana, São Paulo.
Horário: Segunda à sexta, das 9hs às 17h.
Entrada: Gratuita

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