Hebe Camargo um ano depois

Geraldo Nunes

29 Setembro 2013 | 10h25

A morte sem dúvida alguma é a maior das anistias e um ano depois de seu passamento continuamos sentindo saudades de Hebe Camargo por aquilo que ela teve de bom, deixando de lado as brincadeiras de gosto duvidoso, de baixo nível, tão comuns em programas de auditório. Hebe morreu em 29 de setembro de 2012, mas enquanto esteve viva reinou na TV.

Como repórter tive a oportunidade de entrevistá-la uma única vez, minutos antes da cerimônia de inauguração da Pró-TV, a Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira, em cerimônia simples no Nacional Clube, bairro do Pacaembu, em São Paulo, no ano de 1999.

No rápido pronunciamento que concedeu, Hebe lembrou os primórdios de sua carreira e a recomendação que permanecesse no Rádio porque tinha sobrancelhas largas e não ficaria bem na telinha. “Hoje temos a Malu Mader que é linda e tem sobrancelhas iguais às minhas na época, não tinha nada a ver”, comentou na oportunidade a consagrada apresentadora.

Hebe não foi à cerimônia inaugural da televisão em 18 de setembro de 1950 porque não quis. Preferiu se encontrar com um namorado ciumento que depois ela disse no programa do Jô se chamar “Luizão” e alegou estar rouca.

No dia foi substituída por Lolita Rodrigues. Muito amiga da apresentadora, foi Lolita quem recitou em uma canção difícil, composta especialmente para a inauguração da PRF-3 TV Tupi, com versos do poeta Guilherme de Almeida, algo como: “brotou como tudo brota, a semente que Anchieta plantou”…

Tempos depois em minha casa uma canção gravada por Hebe era cantada à exaustão por minha irmã, ainda criança.

Era assim: … “Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola, eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola…” e ficava nisso bastante tempo.

Como naquele tempo havia mais pássaros engaiolados do que hoje, me surpreendia alguém manter andorinhas presas em gaiolas porque era comum vê-las soltas voando em São Paulo!

Como seria possível, no meu entender, alguém querer prender andorinhas?

Hoje adulto lembrando a canção consigo entender a letra.  As andorinhas não vivem presas em gaiolas, mas alguém tentou prender um amor que então partiu para nunca mais voltar. Profundo, não é mesmo?

Fui procurar a música e seu nome correto é Andorinha Preta, gravação de 1964, muito bem feita, com mixagens, onde Hebe faz dueto com ela mesma. A composição é da década de 1920, autoria de Breno Ferreira Hehl. 

Assim como as andorinhas deixaram São Paulo, a sempre alegre Hebe Camargo também se foi.

Graças aos acervos televisivos a apresentadora que cantava muito bem ainda aparecerá, vez em quando, em gravações de seus antigos programas.

 Pelo menos é um jeito de continuar tendo Hebe Camargo viva nos corações de seus inúmeros fãs.

Quem quiser ouvir Hebe cantando basta acessar o link:

http://www.youtube.com/watch?v=YRvnIAOCCS4