Há 70 anos a Força Expedicionária Brasileira entrava em ação

Geraldo Nunes

29 Julho 2014 | 06h26

O visitante que for neste final de semana (2 e 3 de agosto) à cidade de Caçapava – 117 quilômetros da capital pela Via Dutra – poderá ver no Centro Educacional e Esportivo Francisco Natália, um acampamento de soldados semelhante ao que foi utilizado pela Força Expedicionária Brasileira, na Itália, durante a II Guerra Mundial. A exposição é parte integrante de uma mostra de automóveis antigos que pertenceram ao colecionador Roberto Edward Lee, onde também estarão expostas viaturas militares utilizadas pelos soldados brasileiros que participaram das ações que culminaram na “Tomada de Monte Castelo” marcando a supremacia na Itália frente às tropas alemãs.

A curadoria da exposição que leva o título “O Brasil vai à Guerra” é do empresário Paulo Fernando Kasseb, pesquisador desde a adolescência dos assuntos militares relativos ao segundo grande conflito que envolveu a maioria das nações do mundo.

O Brasil foi o único da América do Sul a enviar tropas à Europa. Em 23 de agosto de 1942, o Estadão estampou em manchete: O Brasil em estado de beligerância com a Alemanha e a Itália. Mesmo assim o povo brasileiro não acreditava na possibilidade de se ir à luta, embora os alemães já tivessem bombardeado navios comerciais do Brasil em águas internacionais. “Como sempre, o brasileiro duvida da importância do próprio país”, comenta o curador Paulo Kasseb lembrando que na época se dizia que seria mais fácil uma cobra fumar que o Brasil entrar guerra. “Quando o primeiro contingente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) embarcou para a Itália, se decidiu adotar a expressão popular como lema do grupamento, sendo desenhada uma insígnia com uma cobra verde fumando um cachimbo”.

A partir de agosto de 1944 os soldados brasileiros começaram a seguir para a Itália, totalizando 25. 344 expedicionários que antes de seguir ao campo de batalha passaram por instrução e treinamento pelo V Exército norte-americano, comandado pelo general Mark Clark. As tropas brasileiras tinham por comandante o general Mascarenhas de Moraes. Apesar da inexperiência e dificuldades, os nossos soldados cumpriram cada missão que lhes foram atribuídas.

Em Monte Castelo foram instalados os acampamentos retratados nessa mostra de Caçapava porque ali os “pracinhas” (como eram chamados os nossos soldados) enfrentaram as maiores dificuldades, diante não só do inverno rigoroso, mas também das possantes metralhadoras MG. 42 dos alemães, logo apelidadas por “lurdinhas”.

Para se tomar a posição alemã em Monte Castelo, foram realizadas três tentativas, entre dezembro de 1944 e fevereiro de 1945, quando se deu a vitória definitiva, a única com o apoio conjunto do Esquadrão de Caças da Força Aérea Brasileira (FAB) operando os caças – bombardeiro P.47D – Thunderbolt, porque nas demais missões os trabalhos aconteceram em separado.

O pesquisador Paulo Fernando Kasseb lamenta apenas que depois da vitória e do desfile dos soldados pelo Rio de Janeiro, em carro aberto, com chuva de papel picado, a Força Expedicionária Brasileira tenha sido desfeita por decreto logo em seguida. “Acredito que Getúlio Vargas (então presidente da República) temesse que seu poder fosse abalado pela popularidade obtida pela FEB”, observa.

Após a mostra deste final de semana em Caçapava, a exposição O Brasil vai a Guerra seguirá para outros eventos pelo Brasil.

Outro registro é o lançamento do livro: “Hollywood no front! – A Segunda Guerra Sob a Ótica do Cinema Americano”, do colega jornalista José Roberto Gomes, do Estadão Conteúdo, pela Giosti Editora, disponível na Livraria da Vila.

 Confira no link como Estadão anunciou a entrada do Brasil na guerra: http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19420823-22380-nac-0001-999-1-not