Fechado há 2 anos obras no Museu do Ipiranga ainda não começaram

Geraldo Nunes

12 Maio 2015 | 03h42

O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido por Museu do Ipiranga foi fechado ao público em agosto de 2013 para uma reforma gigantesca do prédio projetado pelo arquiteto italiano Gaudêncio Bezzi e inaugurado em 1890.

As dependências ganharão refrigeração adequada aos padrões de conservação de peças antigas, bem como serão atendidas exigências previstas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas no que diz respeito à acessibilidade para cadeirantes. Além disso a ideia é tornar o museu mais dinâmico e para tanto serão instalados meios que possibilitem o acesso digital aos processos de multimídia.

Muita gente tem curiosidade em saber como anda a reforma, afinal o museu está há quase dois anos fechado. Aqui na Rádio Estadão, o apresentador Vinícius França, do programa Metrópole, entrevistou a diretora do Museu Paulista, Sheila Walbe Ornstein e pediu a ela um parecer sobre a reforma. Pasmem! A obra ainda nem começou.

Sheila Ornstein disse que só agora foi concluído processo que autoriza o museu a alugar seis imóveis para onde será transferido o acervo durante as reformas e somente agora serão abertas licitações para a formação de logística para a transferência dos móveis e das equipes que trabalham no museu no trabalho permanente de manutenção e conservação das antiguidades e seus respectivos laboratórios e mais o setor administrativo.

Diante dessa explicação surgiu a dúvida, o Museu do Ipiranga estaria pronto para reabrir até 2022, ano do bicentenário da independência ou pode haver atrasos?

A diretora do Museu Paulista não deu certeza, mas disse acreditar que se todos os procedimentos acontecerem sem imprevistos o museu estará pronto para reabrir durante os festejos de 200 anos da proclamação da independência. “O museu possui cerca de 125 mil itens de acervo sem contar os livros de sua biblioteca e até hoje nunca se realizou no Brasil uma obra dessa proporção. Só no exterior é que já se fez trabalho semelhante”, avalia a diretora do Museu Paulista, que espera pela reabertura na data marcada.

O acervo tem sua origem de uma coleção particular do coronel Joaquim Sertório, que em 1890, foi adquirida pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que a doou, juntamente com objetos da coleção Pessanha, ao Governo do Estado. Em 1891, o presidente do Estado, Américo Brasiliense de Almeida Melo, deu a Albert Löfgren a incumbência de organizar esse acervo, designando-o diretor do recém-criado Museu do Estado. As coleções, ao longo dos mais de cem anos do museu, sofreram algumas modificações com o desmembramento de uma parte para o Museu Imperial de Petrópolis. Agora o acervo do Museu do Ipiranga não pode mais ser modificado tendo sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Enquanto se aguarda a reabertura ficam disponíveis à população os jardins externos do Museu do Ipiranga que compõem o Parque da Independência, bem como o conjunto formado pelas fontes e pelo jardim francês.

Os chafarizes que compõem a fonte, projetados para as comemorações do ano de 1922, centenário da Independência do Brasil, foram restaurados em 2004 e se encontram em pleno funcionamento.