Em 1979 um avião da Varig também desapareceu no Pacífico

Geraldo Nunes

22 Março 2014 | 10h26

O caso da Malaysa Airlines não é o único na história da aviação, em 30 de janeiro de 1979 um avião da Varig também sumiu misteriosamente e até hoje não foi localizado. O Estadão acompanhou tudo na época.

http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19790131-31866-nac-0020-999-20-not

Era um Boeing 707 – 323 C, comercial de carga, número 967 que levantou voo do Aeroporto Internacional de Narita, em Tókio, às 20h23  com destino final no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão, com uma escala nos Estados Unidos. Vinte e dois minutos depois de decolar, o comandante Gilberto Araújo da Silva fez o primeiro contato com a torre de controle. Não havia qualquer problema a bordo. O segundo contato, previsto para as 21h23min, não chegou a ser feito.

O avião desapareceu sobre o Oceano Pacífico cerca de trinta minutos após sua decolagem. Nenhum sinal da queda, como destroços ou corpos, jamais foi encontrado. O voo trazia de volta, entre outros itens, 153 quadros do pintor Manabu Mabe, de uma exposição no Japão. As pinturas foram avaliadas na época em mais de US$ 1,24 milhão. Foi o único jato civil comercial que desapareceu sem deixar vestígios até os dias de hoje se tratando de um dos maiores mistérios da história da aviação.

A tripulação do Boeing 707 Cargo era formada por seis homens: o comandante Gilberto Araújo da Silva – mesmo comandante sobrevivente do voo Varig RG-820, acidentado nas proximidades do Aeroporto de Orly, na França, em 1973, por um incêndio a bordo que matou 123 pessoas, entre elas o cantor Agostinho dos Santos. O comandante Erni Peixoto Mylius, atuava como 1º oficial, 2º oficial Antonio Brasileiro da Silva Neto, 2º oficial Evan Braga Saunders, (atuando como co-pilotos) José Severino Gusmão de Araújo e Nícola Exposito (mecânicos de voo).

Este foi um dos raríssimos casos da aviação comercial mundial em que um piloto (comandante Gilberto) se envolve em dois desastres aéreos com vítimas fatais. O desaparecimento foi notado pelos controladores após a falta de comunicação na passagem do Varig 967 sobre um dos pontos imaginários fixos sobre o oceano, usados na navegação e monitoramento de progresso de voo.

Após uma hora de tentativas frustradas de se estabelecer alguma comunicação, o alarme foi dado e as equipes de busca e salvamento foram acionadas. Com a escuridão reinante, as buscas foram suspensas e só foram retornadas mais de doze horas depois da decolagem, na manhã do dia seguinte. Apesar de mais de oito dias de busca intensa no mar, nenhum sinal de destroços, manchas de óleo ou dos corpos dos tripulantes jamais foi encontrado.

A investigação interna da Varig não conseguiu resolver o enigma. No relatório final sobre o acidente, constou o seguinte: “Não foi possível encontrar nenhum indício que lançasse qualquer luz sobre as causas do desaparecimento da aeronave”. Muitas hipóteses e teorias foram formadas a partir de então para tentar entender o que ocorreu com o Boeing 707 da Varig. As teorias da conspiração lançaram no ar algumas delas:

Teria ocorrido um sequestro promovido por colecionadores de arte, já que no porão estavam as obras do pintor Manabu Mabe. No entanto, essas pinturas jamais foram achadas em lugar nenhum.

O Boeing teria sido abatido por soviéticos, interessados em esconder segredos de um caça Mikoyan-Gurevich MiG-25 que supostamente estaria desmontado e sendo levado aos Estados Unidos.

O rádio-operador e ex-co-piloto da Força Aérea Brasileira (FAB) Oswaldo Profeta chegou a escrever um romance chamado “O Mistério do 707” para dizer que o que houve não foi um acidente. Ele acredita que o Boeing pode ter, por algum motivo, penetrado no espaço aéreo soviético, uma área supervigiada. Segundo Profeta, é possível que o avião tenha sido abatido. Uma teoria conta que o Boeing 707 teria sido forçado a um pouso na costa da Rússia, onde os tripulantes teriam sido mortos, mas nada disso foi confirmado.

A hipótese mais plausível, no entanto, considera que, logo após a decolagem, com a aeronave já tendo atingido um nível de cruzeiro elevado, sofreu uma despressurização lenta na cabine, o que não causou a explosão da aeronave – ou seja, não foi uma descompressão explosiva, mas lentamente sufocou os pilotos. O avião, então, segundo a linha de raciocínio, voou com ajuda do piloto automático por muitos quilômetros mais, até que, findo o combustível, caiu sobre o mar em algum ponto extremamente distante dos locais por onde passaram as buscas. Portanto, nenhum destroço foi encontrado, sendo provável – como largamente aceito – que estejam ou no fundo do vasto Oceano Pacífico, ou sobre alguma área inabitada do estado americano do Alasca. O mistério permanece agora com novo caso quase semelhante.