Confusões presidenciais marcam as datas do Dia do Rádio e do Radialista

Geraldo Nunes

22 Setembro 2014 | 01h06

O Rádio como veículo de comunicação é sempre lembrado nas horas difíceis de trânsito parado e nas intempéries de todo tipo. Como diz a canção, “é o amigo mais certo das horas incertas”. Graças a seu imediatismo, quando ocorre um fato inesperado, todos se ligam nele, por sua informação rápida, precisa e cada vez mais dinâmica, adaptado que está às novas mídias, pois continua sendo ouvido em telefones celulares, nos ipads; ipods; smartphones; tablets e o que vier. Está na internet, nas páginas do facebook e nos aplicativos que começam a chegar aos automóveis. Em breve todos os carros terão wi-fi e assim poderemos ouvir com ótima qualidade de som, sem nenhum ruído, a nossa emissora favorita e o nosso programa preferido de Rádio em qualquer lugar do mundo.

O mais importante é que mesmo diante de tantos avanços, o rádio permanece com a mesma essência, ou seja, não perdeu seu maior fascínio que é o de ser companheiro e capaz de despertar a imaginação do ouvinte graças ao poder da voz.  Há pessoas que ainda imaginam o rosto de quem fala no Rádio, embora as emissoras em boa parte,  tenham câmeras no estúdio.  Nem sempre a realidade facial corresponde à fantasia, mas nisso também está o poder fascinante do Rádio.

Mas vamos a algumas curiosidades alusivas ao Dia do Rádio e do Radialista, datas que andam sendo comemoradas mais vezes até do que deveriam, graças a algumas confusões presidenciais. Um decreto de 1943, do então presidente Getúlio Vargas, instituiu as datas, 21 e 25 de setembro, para as comemorações do dia do Radialista e o dia do Rádio, respectivamente. Pela proximidade das efemérides se fazia confusão sobre as datas e em 1966, o marechal Castelo Branco unificou em 21 de setembro, as datas alusivas aos profissionais da área e ao veículo de comunicação em si. Mas tudo mudou novamente em 2006, quando o presidente Lula, através do decreto lei 11.327, modificou as datas comemorativas dos dias do Rádio e do Radialista para 7 de novembro, para homenagear o aniversário de Ary Barroso que além de compositor narrava futebol e apresentava programas de calouros. Antes as homenagens se dirigiam a Edgard Roquette Pinto, que ajudou a implantar a primeira emissora oficial do Brasil, cujo nascimento se deu em 25 de setembro de 1884. Descobriu-se um santo para cobrir outro

Não bastasse a confusão, outro ex – presidente, Fernando Henrique Cardoso, também mudou datas alusivas às comunicações, transferindo de 10 de setembro, para 1º de junho, o dia do jornalista, que por sinal é também a data do meu aniversário. Com tantas datas, alguém que é jornalista e radialista recebe cumprimentos e tapinhas nas costas dos amigos, várias vezes por ano. Como se convencionou comemorar o Dia do Rádio em 25 de setembro, essa continua sendo a data que se convencionou para a confraternização entre profissionais da área,  patrões e ouvintes.

Para finalizar outra curiosidade: A palavra radialista foi criada por um brasileiro,  Nicolau Tuma.  Foi em uma convenção de representantes da área, ocorrida em Lisboa na década de 1930,  quando se discutiu que nome se daria à profissão. Os portugueses sugeriam “radista”, mas Nicolau, já um famoso “speaker” do rádio esportivo, sugeriu que a palavra radialista era mais sonora e se aplicaria melhor à designação dos profissionais do veículo e todos acabaram concordando. Conto essas coisas por me orgulhar de além de ser jornalista profissional diplomado, ter também o meu registro de radialista.

Para saber mais sobre o Dia do Rádio ouça o programa Estadão Acervo, copiando e colando este link: http://radio.estadao.com.br/busca/acervo