Confusões atrapalham comemorações do Dia do Rádio

Geraldo Nunes

23 Setembro 2013 | 03h56

Convencionou-se que as comemorações do Dia do Rádio acontecem em 25 de setembro, por ser essa a data de aniversário de nascimento de Edgard Roquette Pinto, considerado o pai do Rádio no Brasil.

A primeira transmissão oficial em nosso país, aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, para um aparelho receptor instalado na Praia Vermelha, onde acontecia uma exposição alusiva ao centenário da Independência do Brasil.

Foi um discurso do então presidente da República, Epitácio Pessoa, transmitida de uma torre instalada no morro do Corcovado.

Passada a exposição ninguém mais tocou no assunto e preocupado com o fato, devido à importância política de um veículo de comunicação como o rádio, Roquette Pinto tentou convencer o Governo Federal a comprar os equipamentos apresentados na Feira Internacional, mas sem sucesso.

Compareceu então à Academia Brasileira de Ciências e expôs a eles a situação, conseguindo assim, com o dinheiro daquela instituição, comprar os equipamentos.

Nascia assim, a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1923 e dirigida pelo próprio Roquette Pinto.

Para homenageá-lo, um decreto de 1943, do então presidente Getúlio Vargas, instituiu a data 25 de setembro, para se comemorar o dia do Rádio e no mesmo decreto instituía também o dia do radialista a se comemorar em 21 de setembro e aí começou a confusão.

Devido à proximidade das efemérides se fazia confusão nas comemorações e em 1966, o marechal Castelo Branco unificou em 21 de setembro, a data comemorativa para os profissionais da área e o veículo de comunicação em si.

Mas, outro presidente decidiu mudar tudo. Luiz Inácio Lula da Silva, através do decreto lei 11.327 de 2006, decidiu mudar as comemorações do Dia do Rádio e do Radialista para 7 de novembro, em homenagem à data natalícia do compositor, músico e radialista Ary Barroso.

Um outro presidente, Fernando Henrique Cardoso, já havia modificado datas alusivas, transferindo de 10 de setembro, para 1º de junho, o dia do jornalista.

As novas datas, entretanto, não extinguem a tradição deixada pelas datas anteriores e assim, jornalistas e radialistas recebem cumprimentos e tapinhas nas costas dos amigos, várias vezes por ano.

Como se convencionou comemorar em 25 de setembro, o Dia do Rádio, demos início, no último final de semana na Rádio Estadão, a retransmissão de uma série de programas da BBC que contam a história do Rádio no Brasil.

Desta série apresentada originalmente em 1988 partiu a informação hoje reconhecida pelo governo que o verdadeiro inventor do rádio é o padre brasileiro Roberto Landell de Moura.

Em 1893, este padre gaúcho fez uma transmissão em São Paulo entre a Avenida Paulista e o Alto de Santana.

Documentos e posteriores patentes atestam o invento deste padre, cuja trajetória se parece com a de Santos Dumont, que também não é reconhecido internacionalmente.

No Brasil, o decreto lei 12.614, de 27 de abril de 2012, assinado pela presidente Dilma Rousseff inscreveu o nome do padre Roberto Landell de Moura no livro dos heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasil.

Apesar da evolução das mídias, o Rádio no Brasil continua merecendo o respeito de todos.