As Rádios AM irão migrar para FM: uma boa notícia

Geraldo Nunes

21 de outubro de 2013 | 23h57

O anúncio por parte do ministro das Comunicações Paulo Bernardo, que está em fase de preparo a migração das faixas de rádio AM para FM, nos fez viajar no tempo para lembrar da época em que essas emissoras de AM, operando em  kilohertz, tocavam música e ajudaram formar uma legião de fãs interessados nas novidades musicais que vinham do exterior em discos que eram embarcados nos voos internacionais que aqui chegavam. Esse pessoal, hoje na casa dos cinquenta anos, ainda ouve rádio AM mantido que é pelas poucas emissoras de qualidade que restaram na frequência.

 Naquele tempo, década de 1970, não havia internet e as emissoras que obtinham as novidades internacionais,  anunciavam a gravação como sendo exclusiva, colocavam vinhetas inclusive com a marca da rádio, para mostrar que aquilo que estava sendo tocado lá era algo que ainda não havia sido lançado no Brasil. Não havia pirataria, era como tocar um disco importado, com registro da gravadora e tudo mais.

Foi assim com Something, música dos Beatles do álbum Abbey Road, de 1969 e também com Saturday Night Fever, álbum dos Bee Gees, em 1977, entre tantos outros sucessos que as rádios anteciparam ao público antes do lançamento. Em São Paulo duas emissoras disputavam quem obtinha mais exclusividades, uma delas era a Rádio Excelsior, cujo slogan ainda é lembrado, “A Máquina do Som”.  A outra concorrente, a Rádio Difusora,  levava ao ar a programação “Jet Music” baseada na parada de sucessos das revistas norte – americanas Cashbox e Billboard. Essas rádios também revelaram bons nomes para a MPB como Tim Maia, Jorge Benjor, Ney Matogrosso e Djavan, entre outros, tocando e divulgando seus discos.

Como não se fazia download, o máximo que acontecia era alguém usar algum gravador tipo cassette e depois reproduzir para os amigos nas festinhas ou nos bailinhos de luz negra, muito comuns à época. Tudo com uma qualidade de som primária no estilo mono, porque o som estéreo no Brasil só foi desenvolvido para as FMs. Mas ninguém se importava.

A primeira emissora em FM – Frequência Modulada a operar na cidade de São Paulo foi a Rádio Eldorado.  A coisa aconteceu assim: Existia antes a Pró – Música, criada pelo Grupo Estado, em 1957, para oferecer som ambiente a empresas assinantes que assim proporcionavam música orquestrada em seus escritórios e elevadores, algo que no passado era considerado um luxo. Como não havia aparelhos receptores em FM no Brasil, a Pró – Música instalava os equipamentos nas empresas assinantes. Com a entrada dos primeiros receptores em FM no mercado, a partir do final dos anos 60, a Pró – Música foi desativada, surgindo então a Rádio Eldorado FM, na frequência de 92.9 mHz.

Hoje a faixa de frequência para quem sintoniza FM, em qualquer aparelho de rádio, segue de 88 a 108 megahertz.  Como há canais não utilizados por emissoras de televisão entre 76 e 88 mHz, as AM atuais deverão ocupar esse espaço. O decreto presidencial a ser anunciado em 7 de novembro, Dia do Radialista,  contendo outros detalhes que por enquanto estão sendo aguardados.

O bom de tudo isso é que as AM, deste modo, voltarão a ter boa qualidade de som e por conseguinte poderão, se quiser, voltar a tocar música como no passado e agora com som estéreo, para deleite dos cinquentões, e quem sabe das novas gerações porque a qualidade da programação irá melhorar e os oportunistas que se apoderaram de algumas emissoras, de rádio, acreditamos, perderão espaço.

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