Zero, com margem de erro.

Fábio Bonini

30 de janeiro de 2012 | 13h19

Ponto para a presidente Dilma Rousseff. Ela fechou o ano com a aprovação de 56% dos brasileiros e 68% afirmam confiar nela. Mesmo entre tantos ministros acusados e demitidos por corrupção, Dilma foi bem avaliada pela população. A “tolerância zero” com a corrupção fez a presidente ser considerada por alguns como a grande faxineira, para usar uma palavra repetida durante estes últimos meses. Mas, o que muita gente parece esquecer é que foi ela quem colocou no poder os ministros que mais tarde “varreu” – foram sete ao longo de 2011.

 Infelizmente, parece que a faxina ainda não terminou e tem mais sujeira por aí. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, está diariamente nas manchetes dos jornais brasileiros por denúncias – que vão de destinação política de verbas do ministério a nepotismo. O Estado de S. Paulo denunciou que Bezerra destinou cerca de 90% dos recursos anti-enchentes para Pernambuco, Estado do ministro. Num momento em que tragédias causadas pelas chuvas são noticiadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, essa divisão de recursos soa ainda mais absurda.

Já o Ministério Público acusa Bezerra de usar verbas indevidamente na reconstrução de estrada em Petrolina e de ter comprado (com dinheiro público) duas vezes o mesmo terreno quando era prefeito da cidade. Nas duas vezes, o dinheiro foi para a mesma pessoa: o empresário José Brandão Ramos, primo do secretário de agricultura de Pernambuco, que é do PSB, partido do ministro. Entrando na questão dos laços familiares, temos a nomeação do irmão do ministro como presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaiba, a nomeação do tio de Bezerra como membro do comitê técnico-consultivo para o desenvolvimento da agricultura irrigada e o fato curioso de ter sido o filho do ministro (deputado Fernando Coelho do PSB de Pernambuco) o único congressista que teve todo o dinheiro de suas emendas empenhadas em 2011. Caem sobre Bezerra ainda denúncias sobre uma manobra do ministério para tirar R$ 50 milhões da obra da transposição do Rio São Francisco para a construção de barragens em Pernambuco.

Depois de dias seguidos lendo este tipo de notícias sobre o ministro, me pergunto: onde está a intolerância da presidente em relação à corrupção? Não faria mais sentido demitir um ministro que usou politicamente verbas públicas ao invés de, a partir daí, pedir que critérios técnicos fossem adotados? Quais os parâmetros – ou limite – usados pela presidente para definir intolerância e corrupção?

Acho importante também pensarmos por quê a faxina não chegou ao ministro de Desenvolvimento Fernando Pimentel, que enfrentou denúncias gravíssimas sem ter que se explicar ao Congresso – ou à população. Cito ainda Mario Negromonte, ministro das Cidades, apontado por alguns como próximo ministro a cair, mas que continua no cargo mesmo com obras e contratos da sua pasta sob suspeita. Fica então a pergunta: quando se fala da tolerância da Presidente Dilma Rousseff o número zero tem alguma escala de variação?

 

Confissões de rodapé: Absurda a vinculação de bebidas alcoólicas com eventos esportivos. Falta de ética de todo o lado … 

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