Sorria, Você está sendo filmado.

Fábio Bonini

04 Outubro 2011 | 16h56

Confesso que não sou muito de assistir a reality show. Mas, depois da absolvição da Deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) passei a contemplar a proposta destes programas com outros olhos. A idéia de exposição total dos participantes poderia ser aplicada aos parlamentares brasileiros. Seria um sucesso. Eu pelo menos faria questão de acompanhar esta realidade bem de perto.

No melhor estilo “Big Brother”, Jaqueline foi filmada recebendo um maço de notas de dinheiro. No entanto, o vídeo não foi suficiente para condená-la. A data da filmagem foi a principal justificativa. Sem entrar no mérito jurídico da absolvição, o que me intriga é a ampla maioria que “inocentou” Jaqueline, mesmo depois de um flagrante gravado e amplamente divulgado.

E daí vem a minha curiosidade em conhecer cada um que votou pela absolvição. Com relação ao programa, a imagem já é bem popular na televisão: tem o dia da votação pela eliminação de um dos participantes “da casa” e o confessionário. Os votos são conhecidos por todos. Fico imaginando como seria bom se este modelo de votação fosse aplicado aos parlamentares em dias decisivos. Se não quiserem justificar, deveriam pelo menos declarar seu voto. Olhar para a câmera e dizer: eu sou contra a cassação de Jaqueline Roriz. Essa decisão dos deputados seria usada na definição do nosso voto – de eleitor.

O Voto Secreto de Parlamentar tem sua origem em uma boa intenção: Proteger os políticos oposicionistas, principalmente em momentos de Regime de Exceção. Ocorre, porém, que desde 1988, com a promulgação de nossa Constituição Federal, não há mais sentido em defender o voto secreto para nenhum assunto parlamentar, em qualquer esfera (Deputados Federais e Estaduais, Senadores e Vereadores).

Aliás, desta boa safra de intenções também se pode colher as origens de outros institutos que não mais se justificam em minha opinião: a Imunidade Parlamentar e o foro privilegiado, entre outros. No máximo admitiria a Imunidade Parlamentar com relação às suas opiniões e manifestações, porém, proteger atos de natureza de crime comum e o foro privilegiado para quaisquer tipos de crimes, parece absurdo por afrontar o princípio da igualdade, pressuposto da Democracia Brasileira e escrito em nossa Carta Maior. Passou da hora de nosso Congresso acabar com esses absurdos.

A verdadeira eliminação dos nossos representantes, ou sua reeleição, acontece a cada 4 anos. Assim, como nos programas de “reality show” televisivos, na democracia é o povo quem decide quem sai e quem fica – por mais conchavos que se faça dentro das “casas”. E por isso, sigo firme na minha idéia do voto aberto, do “confessionário” dos parlamentares. Não seria ótimo que cada político declarasse seus votos antes de pedir os nossos?

Confissões de rodapé: Muttley, faça alguma coisa….

 

 

E a fila anda - Crédito: Fábio Bonini