Socorro bike-repórter?

Fábio Bonini

02 de agosto de 2011 | 11h33

Domingo passado, no caminho entre a Av. Ibirapuera e a Avenida Cidade Jardim fui ultrapassado por um casal de ciclistas que desfrutava da ciclofaixa de lazer… O homem venceu a máquina?

Em um evento que já acontece há três anos, o Desafio Intermodal, esse teste é feito de forma mais profissional: condutores e seus diferentes meios de transporte se deslocam entre dois pontos da cidade. A bicicleta venceu as duas primeiras edições e foi a segunda colocada no ano passado, perdendo para uma motocicleta por parcos 36 segundos de diferença.

A opção pela bicicleta como meio de transporte vem ganhando adeptos e a construção de ciclovias é uma idéia tão boa quanto simples. Porém, a maior cidade da América do Sul tem somente 37,5 quilômetros de ciclovias e outros 45 quilômetros de ciclofaixas de lazer, e que funcionam somente aos domingos. A Prefeitura já anunciou para 2012 a adição de novas faixas para alcançar a marca dos 100 quilômetros mas, ainda assim, será pouco.

E, vejam que curioso: para incentivar a modalidade, 50 ciclistas voluntários criaram os “Bike Anjos”, um grupo especializados em ensinar aos novos adeptos as malícias de quem enfrenta o trânsito entre os carros, ônibus, motos, caminhões e pedestres. A iniciativa é bem legal, mas não deveria ser necessária. O compromisso deveria partir principalmente do poder público.

Uma pesquisa sobre mobilidade urbana divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicado (Ipea) constatou que de cada 100 brasileiros apenas 7 (sete) usam bicicletas como meio de transporte. São pessoas que chegam aos seus destinos sem causar poluição sonora ou visual. E, com certeza, chegam menos estressados e mais saudáveis.

Precisamos de mais ciclovias, de mais campanhas educativas e também, quiçá, ultrapassar mais que os carros, os velhos tabus urbanos. A rádio Eldorado coloca seus bike-repórteres para nos indicar os melhores caminhos e confesso que ouço envergonhado… Sou mais um entre outros milhões de paulistanos a me proteger do sol, calor e caos do tráfego urbano dentro da minha “super máquina” de 2000 cilindradas…

A cidade nos mostra, das mais diversas formas, que é preciso e possível mudar os caminhos. Até quando iremos esperar para ultrapassar os tabus urbanos, sair do insustentável conforto e experimentar outras formas de viver e andar por São Paulo?

Confissões de Rodapé:  Nada é melhor para o humor que começar o dia suando…

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