Se beber não dirija, porra!

Fábio Bonini

24 de junho de 2011 | 20h32

Amanda perdeu os pais num acidente causado por um motorista bêbado. No mesmo dia, perdeu pai e mãe. Em outros dias Roberta perdeu o noivo, Vicente perdeu o irmão, Beatriz perdeu o filho. Cada um deles teve a vida marcada para sempre pela irresponsabilidade. A vida daqueles que eles amavam foi interrompida. Para sempre. Esses dias se repetem, embalados pela bebedeira de quem não sabe o que faz.

Leis severas não parecem ser suficientes para impedir que motoristas bêbados assumam a direção e coloquem vidas em risco, incluindo a própria. Todos os motoristas bêbados algum dia, sóbrios, receberam este conselho: “Se beber, não dirija”. Infelizmente, nem todos ouviram. Talvez, assim, o sensacionalismo seja uma estratégia mais adequada para conscientizar quem ainda não tem a menor consciência.

Em cada bar onde motoristas chegam dirigindo e começam a beber, poderíamos ter uma pessoa que perdeu alguém num acidente contando a sua história, a história da sua família. Poderíamos distribuir fotos de acidentes graves com vítimas fatais junto com a conta de quem passou da conta. Uma conversa franca com um cadeirante que perdeu para sempre os movimentos das pernas pode ser uma alternativa de campanha pela vida.

Pode soar absurda, mas a estratégia de mostrar exatamente o que pode acontecer quando alguém que bebeu decide dirigir tem surtido efeito ao redor do mundo. Na Inglaterra, vídeos criados pela TAC (Transport Accident Comission) fazem justamente isso. São chocantes, mas tem ajudado a diminuir o índice de motoristas bêbados ou drogados nas ruas. E diminuem o número de mortes. Salvam vidas mostrando as vidas que se perderam.

No Brasil, ainda não chegamos a este ponto de exposição da realidade. Nenhuma campanha é tão honesta, tão explícita. Os vídeos da TAC estão disponíveis apenas na internet, mas deveriam ser retransmitidos. Muitos podem considerar as imagens muito fortes. Imagens de mal gosto. E são fortes, mostram a dor absurda e o desespero de quem perde alguém em acidente de trânsito. Só quem passou por isso sabe como são realmente fortes as cenas mostradas. Mal gosto é continuar bebendo e dirigindo, como se estas imagens não fossem reais ou só acontecessem na família dos outros.

Repasso um vídeo sobre os 20 anos das campanhas da TAC e parabenizo a coragem de quem produz as campanhas que se fazem necessárias. Seria bom que o Brasil não precisasse de campanhas assim.
HYPERLINK “http://www.youtube.com/watch?v=Z2mf8DtWWd8” http://www.youtube.com/watch?v=Z2mf8DtWWd8

A quem assistiu, deixo a pergunta: Você concorda que precisa?

Confissões de rodapé: Fui ao cinema mal humorado, saí deprimido. Melhor não falar comigo.

Tudo o que sabemos sobre:

Álcoolcampanhamotorista

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.