São Paulo vai ganhando de virada (a virada).

Fábio Bonini

13 de fevereiro de 2012 | 12h35

Entre os dias 16 e 17 de abril de 2011, São Paulo recebeu cerca de mil atrações culturais em 24 horas. Um número impressionante, mesmo para uma cidade com uma agenda cultural sempre cheia. Foi a “Virada Cultural”, iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, que criou 121 espaços para apresentações em São Paulo e reuniu cerca de 4 milhões de pessoas em sua 7a. edição.  E o melhor de tudo é que todas as atividades foram gratuitas.

Eu já estou ansioso pela próxima edição. Não só pelos shows e outras apresentações, mas por tudo o que estas 24 horas de cultura representam para a cidade e para os paulistanos. As inscrições para quem quer se apresentar na virada cultural em 2012 já estão abertas no site do evento. Ou seja, o espaço está aberto para novos artistas apresentarem seu trabalho e para espectadores (que é o meu caso) descobrirem novos talentos.

Outro aspecto fundamental da virada cultural é o sentimento de pertencimento em relação à cidade que gera entre os milhões de paulistanos e moradores de SP que participam.  O centro, muitas vezes visto como cenário de problemas sociais, se transforma em um mapa de palcos, um espaço destinado ao entretenimento e interação, área na qual a cultura é acessível a todos. Com isso, a população passa a respeitar mais o espaço público e as leis de civilidade. Afinal, cada um que está lá se beneficia diretamente do local e das atividades oferecidas – e também desfruta da convivência com amigos e desconhecidos.

Uma prova de que as pessoas passam a respeitar mais o local público e as pessoas que o ocupam quando enxergam nele um espaço de bem-estar e convivência agradável é o número de ocorrências registradas durante a  virada cultural. Tendo em conta que o evento reúne milhões de  pessoas, a quantidade de ocorrências é ínfima. A idéia é desfrutar o momento e todos que estão lá tem este mesmo propósito. Não existem, como nos jogos de futebol, grupos contrários. Os cambistas e a briga por ingressos também não têm espaço.

A virada cultural é um presente da cidade para os paulistanos. Está tudo pronto, montado, é de graça. A única ação de quem participa do evento é aproveitar. E muita gente que nunca vai ao centro da cidade, por exemplo, passa horas na região e passa a olhar não só para as apresentações mas para o lugar onde está, e faz isso com outros olhos. É um exemplo de como a cultura pode construir cidadania e ajudar a reconstruir a cidade onde vivemos. Eu vou na virada cultural deste ano prestigiar nossos artistas e nossa cidade. E você?

 

Confissões de rodapé: “O conhecimento é uma questão de ciência, não admite a menor desonestidade ou presunção. O que se requer é precisamente o contrário – honestidade e modéstia.” (Mao Tsé-Tung)