Que saco de sacolinha!!!

Fábio Bonini

06 de fevereiro de 2012 | 15h07

Agora é lei: os supermercados não podem mais distribuir aquelas sacolinhas plásticas aos consumidores. Se pensarmos que uma sacola plástica pode demorar até 400 anos para se decompor e que 2,4 bilhões delas (sim, bilhões!) deixarão de ser distribuídas por mês apenas no estado de São Paulo, essa é uma notícia maravilhosa para o planeta.

 Muitos questionam a eficácia desta Lei, cada um com sua razão, entre os principais argumentos está o de que o comércio irá repassar ao consumidor o custo das sacolinhas (como se isso já não acontecesse) – agora quem quiser embalar suas compras deverá comprar sacolas biodegradáveis ao preço de R$ 0,19. Os lojistas dizem que venderão as novas sacolinhas pelo preço de custo e não estão lucrando com isso, porém, ainda não estão devidamente abastecidos com as sacolas biodegradáveis, motivando mais críticas à medida.

 Mas, e se ao invés (ou além?) de reclamar do preço de venda dos sacos biodegradáveis, as pessoas voluntariamente reduzissem o dano que seus hábitos cotidianos causam ao meio ambiente? A lei das sacolinhas é um exemplo de como o Estado precisa regulamentar determinada situação por meio de leis, em casos em que não impera o bom senso e responsabilidade pelo bem coletivo. É mesmo tão ruim levar uma “ecobag” ou uma caixa para o supermercado? Com certeza essa medida é menos prejudicial ao consumidor do que as sacolinhas plásticas são para o meio-ambiente e, esta simples atitude, afasta a discussão econômica sobre o assunto.

Aliás, é fato que para se proteger o meio ambiente ou impedir a progressão de sua degradação, há que se dispender dinheiro (público e privado) e mudança de hábitos. Ou seja, de qualquer forma haverá custos para protegermos o planeta.

Há anos muitas redes de supermercados oferecem ecobags, destas que cabem mais mercadorias e pode ser reutilizada para seus clientes. Qual a adesão que o uso desta sacola teve quando era opcional? Acredito não foi o suficiente. Parar de usar embalagens que agridem o meio ambiente ou diminuir ao máximo seu uso é uma medida que deveria partir de cada um de nós, cidadãos. Assim como separar o lixo, economizar energia elétrica, não desperdiçar água e tantas outras atitudes que fazem toda a diferença quando adotadas por todos ( Já ouviu falar em pegada ecológica?).

No caso específico das sacolas, quem já adotou um comportamento ecologicamente correto não se arrepende. Em Jundiaí, o fim do uso de sacolas plásticas foi estabelecido há mais de um ano, não se vê mais sacolinhas espalhadas pelas ruas e calçadas com lixo. Se esta fosse a realidade de outras cidades haveria, por exemplo, menos enchentes: as sacolinhas além de poluírem, acabam entupindo bueiros e aumentando as inundações. Além disso, reduzem a vida útil dos aterros sanitários, impermeabilizando o terreno e dificultando a decomposição do lixo orgânico. Outro cenário triste são as ilhas de lixo que se formam com as “sacolinhas” que vão parar no oceano e causam a morte de vários animais marinhos.

Acredito que proibir as sacolinhas plásticas foi uma medida importante para suscitar outras medidas que devem ser adotadas por todos. Cabe a nós que estes hábitos ecologicamente responsáveis sejam adotados por livre e espontânea vontade – e consciência. Caso contrário, outras proibições serão necessárias, com bem mais impacto em nossas vidas do que o uso da sacolinha, como, por exemplo racionamento do uso de água e luz, restrição de locomoção por veículos automotores, etc…. Infelizmente, se chegarmos a este ponto, é porque já passamos de todos os limites. Podemos aproveitar o momento para mudar outros hábitos danosos ao ambiente. Qual hábito você pode mudar?

 

Confissões de rodapé: Sem sacrifícios não se alcança a glória …       

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