Produção de riqueza gerando igualdade: uma idéia que merece divulgação (e multiplicação).

Fábio Bonini

27 Março 2011 | 07h57

Empresas que não têm o lucro como objetivo. O trabalho é um investimento em benefícios para a sociedade, não para os empresários. Parece utopia, mas este modelo de administração tem ajudado muita gente no mundo: empresas sociais, voltadas para a solução de problemas sociais e ambientais.

Na prática, a operação é semelhante a outros investimentos privados, com a necessidade de ser competitivo, eficiente, cumprir metas, pagar funcionários e expandir mercado.  Mas não há distribuição de lucro aos acionistas. Os que investiram na empresa recuperam seu capital, mas o lucro é investido no próprio negócio e o negócio é ajudar quem precisa. E o lucro vem de produtos que contribuem para a redução da miséria.

Muhammad Yunus criou o maior banco de microcrédito do mundo, o Grameen Bank, e várias outras empresas apostando nessa idéia. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2006. Em seu livro “Um mundo sem pobreza”, Yunus aponta empresas sociais como solução para superar a pobreza no mundo. “Uma empresa social é projetada e dirigida como um empreendimento, com produtos, serviços, clientes, mercados, despesas e receitas: a diferença é que o princípio da maximização dos lucros é substituído pelo princípio do benefício social. Em vez de acumular o maior lucro financeiro possível – para ser desfrutado pelos investidores – a empresa social procura alcançar objetivos sociais.”

Resumindo, as empresas são desenhadas para atender às pessoas – e não estamos falando dos acionistas, mas das pessoas que precisam verdadeiramente deste atendimento. Não se trata de filantropia, caridade ou leis de isenção fiscal.  Os empresários ganham dinheiro, os funcionários recebem seu salário e, como qualquer empresa, a empresa social deve gerar lucro para existir. Mas o objetivo são os benefícios sociais. Todos saem ganhando. Todos.

Da Inglaterra, a marca One é um exemplo. Com mais de 10 produtos licenciados, a empresa começou com a venda de garrafas de água com o lucro destinado à construção de bombas de água na África, beneficiando cerca de 1 milhão de pessoas. A venda de preservativos ajuda em projetos voltados para pesquisas e atendimento a doentes com HIV. Os kits de primeiros socorros da marca financiam a formação de médicos nas regiões onde estes profissionais não existem.

Existe a ligação entre o produto comercializado e a necessidade humanitária, e o compromisso com o mercado consumidor. A regra é oferecer o que há de melhor – as pessoas compram pela qualidade, não pela caridade. Cumprindo seu papel por um mundo melhor, a One oferece aos consumidores bons produtos e apresenta números que seduzem empresários. Com um crescimento de 300% ao ano, a meta é chegar em 2015 com um capital de 100 milhões de libras.

No Brasil, informações sobre empresas como a One estão no portal  HYPERLINK ” HYPERLINK “http://brasil.nextbillion.net” http://brasil.nextbillion.net/” NextBillion. A plataforma de conhecimento e oportunidades traz em seu nome um duplo significado: o bilhão de pessoas no planeta que podem ter acesso aos serviços, produtos e oportunidades; e o bilhão atingível em lucros para quem incluir na economia as pessoas da base da pirâmide. Fica a dica.

Quantos bilhões queremos ou podemos ser?

Confissões de rodapé: Essa eu dedico para minha mãe, a melhor pianista que eu conheço:
http://youtu.be/H1KPg8otfgE

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