Por baixo do pano, para baixo do tapete. Até quando?

Fábio Bonini

06 de setembro de 2011 | 13h44

Depois da denúncia sobre um esquema de propina estabelecido por um lobista no Ministério da Agricultura, o Deputado Federal Mendes Ribeiro assumiu a pasta. E, já como ministro, o próprio Ribeiro explicou: “Lobista é uma coisa, ladrão é outra”. E, para a surpresa de muitos, ele tem razão. Infelizmente é comum associar lobby e corrupção e acredito que isso acontece basicamente por duas razões. lobistas corruptos viram notícia, os corretos não ganham destaque…

O motivo? Lobby não é uma profissão regulamentada. E não existe legislação sobre o tema. E nisso, talvez, o espaço para a imoralidade e o jogo sujo: corrupção, propina, tráfico de influências, etc… A verdade é que o lobby nada mais é que a atividade de tentar influenciar as decisões do poder público em favor de interesses privados, que não necessariamente são escusos. Uma influência que pode ser positiva, inclusive.

Quando se votam leis que tratam do meio-ambiente, por exemplo, é importante a presença dos ecologistas, com informações pertinentes para o voto dos parlamentares. Um lobby pela sustentabilidade. E asim como os ecologistas, outros grupos deveriam procurar abertamente parlamentares e governantes para tratar de assuntos de seu interesse. Democrático, não? Nos Estados Unidos, por exemplo, ser lobista é uma profissão com legislação própria.

A área de tecnologia, ligada ao ensino e pesquisa, desenvolvimento industrial e criação de milhões de empregos, há duas décadas praticamente não existia em nosso país. Importantes representações de empresas e associações do setor garantiram políticas públicas, inclusive com incentivos fiscais e criação de um fundo de pesquisa, e ajudaram muito a desenvolver o setor. Mas, o trabalho destes lobistas não virou manchete. Ao contrário, foi quase anônimo.

Na União Européia quem vai fazer lobby é registrado e identificado antes de entrar no parlamento. Sua presença e suas intenções são claras, assim como a sua atuação – regida por normas de conduta. Aqui os lobistas não são reconhecidos oficialmente e usam outros crachás, quando usam…

Um impasse que se estende por décadas… O ex-Vice-Presidente e Senador Marco Maciel já propôs a regulamentação do ofício. Também o Deputado Carlos Zarattini (PT-SP), cujo projeto de lei deve discutido pela primeira vez em audiência pública. Mas, a pergunta é: iremos debater, de fato, a questão ou ainda os preferimos invisíveis e ireeversíveis protagonistas da vida pública nacional?

Confissões de rodapé: Eu acho que vi um gatinho…

 

2 Pombas - crédito: Fábio Bonini


 

 

 

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