Você acredita em culpa?

Fábio Bonini

29 de agosto de 2011 | 22h20

De uns anos para cá, um tipo diferente de “pedinte” circula pelas calçadas da Avenida Paulista ou outras de grandes cidades brasileiras. É praticamente impossível cruzar certos trechos sem ser abordado por essas pessoas. São ativistas de ONGs que atuam nas áreas humanitárias, ecológicas, culturais, entre outras. Uma atitude nobre? Não sei dizer…

Perguntas como: “Você tem um minuto para mudar o mundo?”; “Oi, quer salvar uma vida hoje?” são deflagradas a todos que estejam passando, tenham estes tempo ou não, para pensar, refletir, reagir e responder. Em grande parte, a resposta ao ativista é negativa. Isso, não necessariamente, acontece por desacordo com sua causa. Quem diz não pode estar simplesmente com pressa ou ainda já efetua sua contribuição de outra forma. Mas, a abordagem, o apelo e a gravidade do tom utilizado pode deixar uma sensação contrária…

Existem hoje no Brasil (e no mundo) diversas maneiras de se levantar fundos para instituições e organizações não-governamentais. Empresas reconhecem a importância de associar sua marca a boas causas. Em sua maioria, têm inclusive um orçamento anual destinado à responsabilidade social, por exemplo. Uma conversa franca e direta com os responsáveis dentro dessas empresas não seria uma maneira mais produtiva de se conseguir dinheiro?

É claro que o cidadão também pode – e deve – contribuir com as instituições nas quais acredita. Defendo a participação social, a militância. Assim como o uso da comunicação: as redes sociais, por exemplo, tem se mostrado bastante eficientes na mobilização das pessoas… E sim, são questões urgentes para as quais toda ajuda é bem vinda e necessária. Porém, o peso da chantagem emocional na conquista de simpatizantes ou colaboradores para estas causas, me causa um certo desconforto.

Sinal de que os ativistas e suas causas deixaram sua marca… Prova de que o marketing da culpa cumpre seu objetivo? E, se sim, é por que é realmente necessário? Eu, sinceramente, preciso de mais que um minuto para responder.

Confissões de rodapé: Eu olho as orquídeas da varanda e as invejo.

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