O desafio é outro

Fábio Bonini

07 Novembro 2011 | 23h18

O tema do uso de bicicletas nas ruas da cidade pode estar se tornando repetitivo, mas contra fatos não há argumentos. Mais uma vez foi realizado o Desafio Intermodal e a bicicleta foi o meio de transporte mais rápido. Uma alternativa sustentável e saudável ao trânsito caótico enfrentado por motoristas, passageiros do transporte público e todos aqueles que amaldiçoam São Paulo quando querem chegar a algum lugar e simplesmente não conseguem.

Mas, se é constante a vitória das magrelas sobre outros meios de transporte na cidade, os obstáculos à implantação de seu uso rotineiro se alternam: receio de ciclistas menos experientes, falta de vias adequadas para as pedaladas, desrespeito dos motoristas por quem ocupa as ruas com duas rodas e nenhum motor, dificuldade de adequação da atividades cotidianas (suor e roupa de trabalho não combinam). Os problemas para quem quer pedalar por aí continuam.

Um deles é justamente “A Lei dos Bicicletários”. Não por si só, mas pela sua falta de regulamentação e aplicação. Há quatro anos uma lei que torna obrigatória a instalação de bicicletários em locais de grande fluxo foi aprovada, mas nunca foi sancionada pelo prefeito. A legislação também não definiu quem iria fiscalizar a medida ou aplicar multas pelo não cumprimento. Ou seja, a lei foi aprovada, mas na prática isso não fez a menor diferença.

Assim como as muitas vitórias das bicicletas nos diversos desafios intermodais não significa nada na prática – pelo menos nada além do que já sabemos: a bicicleta é uma solução bacana para a cidade de São Paulo. E, se ao invés de provar isso mais uma vez com outra competição entre modais, o desafio daqui para frente fosse cobrar do poder público ações que levassem seus resultados em consideração? Conseguir que a construção de bicicletários e ciclovias saia do papel, por exemplo. Agora que todo mundo já sabe o resultado do desafio intermodal (e soubemos nos anos anteriores), o que vai acontecer?

Confissões de rodapé: Férias, tão merecidas quanto desejadas ….

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