Festa?!

Fábio Bonini

24 Outubro 2011 | 11h42

Todo ano mais de 1 milhão de pessoas se reúnem em Barretos-SP para a Festa do Peão de Boaideiro. São movimentados mais de R$ 200 milhões, o Parque do Peão, mini-cidade construída para receber o evento, tem 2 milhões de metros quadrados e uma infraestrutura impressionante: conta com estação rodoviária, locais para hospedagem, centros médicos, heliportos e policiamento. Também acontecem por lá dezenas de shows musicais. Organização perfeita. Aliás, hoje confio mais nesta turma que organiza a Festa do peão do que no Governa para comandar a Copa do Mundo de 2014. Mas, no meio de toda esta festa, bem no centro dela, está o sofrimento – e talvez morte. Por se tratar de animais, isso parece não ter importância frente aos números da Festa.

E peões fazem festa em muitas outras cidades do Brasil, aplaudidos por públicos menores que o de Barretos, mas também batem palmas para o mau trato aos animais. Admito que é incrível que um homem consiga ficar em cima de um touro bravo por mais de 8 segundos, e mais incrível ainda é que esse tratamento aos touros, bezerros e cavalos ganhe festas anuais e siga como sinônimo de diversão quando se trata de crueldade. A covardia merece palmas? E a violência simbólica que este tratamento remete? Que exemplos estamos dando e para quem?

Assim como as relações humanas precisam respeitar leis, a relação entre os homens e os animais também tem normas. Existe inclusive a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, alguns rirão, mas existe. E no artigo 10º deste documento diz o seguinte: “Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem”. Deveria haver também uma norma que estabelecesse: nenhum homem deve achar divertido o sofrimento de um animal qualquer que seja o animal ou o tipo de sofrimento imposto.

Recentemente foram noticiados em jornais casos como o do bezerro que morreu instantaneamente numa prova de laço. Ou do touro que ficou tetraplégico e teve que ser sacrificado. Isso tudo em meio a “festas dos peões”. Passados estes incidentes, as festas seguiram com shows musicais e mais provas de rodeio, laço e afins. No dia seguinte, mais do mesmo: os peões no centro das atenções, montando ou perseguindo animais que não deveriam estar ali. E quem aplaude, é fã ou cúmplice?

 

Confissões de rodapé: Descobri recentemente que nervo pinçado em cachorros dói tanto ou mais do que em humanos …

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