Existe ensino superior e ensino inferior. Infelizmente.

Fábio Bonini

18 de agosto de 2011 | 11h40

Depois de escrever sobre as matérias básicas, que são pouco assimiladas pelos alunos da rede estadual aqui em São Paulo, fiquei com essa figura na cabeça, de que alguns políticos – e até alguns educadores – valorizam demais o “topo da pirâmide” educacional. A prioridade não está na educação fundamental.

Infelizmente, minha teoria se comprova com dados oficiais: o Estado de SP gasta cerca de 8,5% do orçamento com universidades e 22% com ensino fundamental. São números que parecem corretos, levando em conta as porcentagens: mais investimento no ensino fundamental, certo? Não. Infelizmente, quando se analisa os números relativos descobrimos que nas universidades estão 400 mil pessoas e no ensino fundamental, 5 milhões. Logo, o investimento no ensino fundamental deveria ser, relativa e efetivamente, muito maior.

Mais uma vez me pergunto por que não começar pelo começo, simples assim. Pelos resultados do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do estado de São Paulo) fica claro que os estudantes não aprendem como devem as matérias básicas. Logo não tem condições de brigar por uma vaga nas universidades. Numa equação injusta, as públicas são as mais concorridas e as mais indicadas para quem, por falta de recursos, cursou o ensino fundamental e médio na rede pública. A política de cotas não resolve o problema.

Um investimento maior no ensino superior se justificaria totalmente se todos tivessem acesso à esta etapa da formação educacional/profissional. Quantos estudantes da rede pública estadual efetivamente vão para uma universidade? Uma parcela pequena, deste impressionante universo de 5 milhões de alunos. Muitos saem da escola sem “conhecimento suficiente”, como nomeia a própria avaliação do governo, em matérias fundamentais como matemática e português.

Esses vão direto para o mercado de trabalho, no qual sua escolaridade não é testada como nas provas de vestibular e podem ganhar algum dinheiro em funções que não exijam diploma de curso técnico ou superior. Pior do que isso é a descrença que a maioria dos estudantes têm na importância da educação para seu futuro. “Faculdade não enche barriga. O que enche barriga é a correria que dou todo dia”, assim resumiu o Felipe, um dos motoboys que presta serviços aqui para o escritório.

Ele completou, por uma exigência da mãe, os estudos – em uma escola da rede estadual. Muitos como Felipe não viam a hora de terminar o ensino médio para poder trabalhar período integral. Para eles, a escola era vista como um atraso de vida. A pergunta que deixo é: quando iremos, efetivamente, avançar?

Confissões de Rodapé:  Quem muito fala acaba dando bom dia pra cavalo…

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