Éticos de Conveniência

Fábio Bonini

13 de junho de 2011 | 07h55

Em maio de 2009, um ex-deputado estadual provocou um acidente de trânsito em Curitiba. A investigação policial concluiu que ele dirigia bêbado e numa velocidade entre 161 e 173 km/h. Seu carro chocou-se contra um automóvel em que estavam dois jovens, de 26 e 20 anos, que morreram na hora. Sua carteira de habilitação estava suspensa, a maioria das multas era por excesso de velocidade.

Dois meses depois, mensagens assinadas pelo ex-deputado se espalharam em outdoors na cidade de Guarapuava, onde seu pai é Prefeito. Nas mensagens o ex-deputado agradecia a Deus por estar vivo e a todos que oravam por ele. Seu pai, prefeito, agradeceu em entrevista coletiva todo o apoio que a família e o filho receberam e afirmava que nada impedia o ex-deputado de voltar a política. Hoje, a família ainda luta na justiça para que o caso seja tratado como um acidente de trânsito, uma fatalidade e não duplo homicídio, como tipificado pelo Ministério Público.

A atitude da família do ex-deputado foi alvo de muitas críticas. Por envolver políticos, pessoas públicas, o caso foi matéria em várias redes de televisão. Todos são categóricos ao afirmar que um motorista bêbado merece ser exemplarmente punido. Com certeza, antes do acidente, o prefeito de Guarapuava também defendia o mesmo ponto de vista. Até que seu filho se tornou o motorista bêbado, que merece apoio, orações e perdão.

A ética de conveniência, na qual os valores defendidos mudam de acordo com a situação – e o papel que cada um desempenha na situação – está presente em todas as esferas da vida social. Prova disso são os muitos brasileiros que repudiam políticos por cobrarem propina, mas andam com dinheiro guardado casualmente nos documentos do carro para eventuais multas.

Para aqueles que não subornam policiais, ou furam fila, ou defendem seus filhos antes de defenderem suas convicções, cabe o questionamento: até onde vão seus valores? Numa situação extrema, valores são postos à prova. Quando isso acontecer seus valores serão postos em prática, ou de lado?

Confissões de rodapé: Me pediram para escolher o mais belo homem do escritório. Ah! Tenha santa paciência…

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